Terça-feira, Julho 31, 2007
dormirás eternamente brasil?
Os jogos panamericanos que, nas últimas semanas, serviram de tema para as pautas jornalísticas, felizmente acabaram. No meio dos jogos o air bus da TAM colidiu com um prédio em São Paulo e o saldo de mais de 200 mortos foi um péssimo agouro para a combalida imagem do Brasil no mundo. Ao contrário do que se pensa, os jogos do Rio de Janeiro ocuparam pouquíssimo espaço na imprensa mundial, especialmente na América do Norte, que esnobaram solenemente os jogos aqui no cone sul.
O acidente com o avião, já se sabe, foi tanto uma falha humana quanto mecânica e reflete o descaso das autoridades governamentais, que em vez de investirem pesado nos aeroportos dotando-os de melhores equipamentos e oferecendo salários melhores para os controladores, que arrastam uma greve branda há quase um ano, preferiram transformar os saguões dos aeroportos em imensos shopping centers e assim lucrarem à custa de todos nós.
Foi o pior acidente da história da aviação brasileira. Foram os melhores momentos do esporte nacional em todos os tempos. Muito embora os atletas americanos e canadenses sejam os da categoria de juvenis, ou seja, os melhores da América Latina contra os novatos daqueles países. O acidente trouxe à tona o que já se previa, mais cedo ou mais tarde, o caos aéreo que transformou os céus do Brasil num inferno ceifaria a vida de brasileiros e mostraria a fragilidade de um governo que patina no descaso e sobrevive do fisiologismo político. O presidente sequer veio à televisão comentar o ocorrido e desejar os pêsames às famílias dos mortos. Demorou mais de três dias para se pronunciar. Ao mesmo tempo, na França, um ônibus polonês com 24 passageiros sofreu um acidente, muitos morreram e outros tantos ficaram feridos. O presidente polonês voou imediatamente para a cidade onde ocorreu o acidente a fim de prestar solidariedade ao seu povo e um ministro francês esteve presente para facilitar os trâmites legais. Enfim, na Europa, ao contrário da selva onde vivemos, solidariedade e respeito humano são práticas corriqueiras.
Não cabe aqui ficar comparando Brasil e Europa porque é pregar no vazio, anos luz nos separam do grau de civilidade alcançado por lá. Também não adianta nada surrar cachorro morto, no entanto, li outro dia matérias na imprensa dando conta de como a Colômbia cada vez mais se distancia da pecha de país violento, berço do narcotráfico. Soluções simples como a presença do governo nas favelas, agindo como tutor no lugar dos traficantes, vão afastando os jovens do caminho das drogas e instaurando a auto-estima do povo, atraindo também investimentos em locais antes considerados de alto risco.
Se a Colômbia está conseguindo dar jeito no país, porque o gigante Brasil continua dormindo em berço esplêndido?
JoHnNy::[23:23]
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Segunda-feira, Julho 23, 2007
morreu o imperador da bahia. vaias ao vassalo de brasília
Quem é leitor deste blog sabe, mas nunca é demais relembrar. Este é um blog umbiguista, onde falo das coisas que acontecem comigo, vez por outra me arvoro a comentar acontecimentos mundiais, brasileiros ou da nação baiana, acontecimentos comezinhos, mas via de regra é minha vidinha mesmo que é exposta por aqui. Já fui alvo de críticas ferrenhas ou do desdém de vários, mas minha vida parece ser um pouco interessante. É o que pode atestar os mais de 100 visitantes que passam por aqui todos os dias. Então seguimos com nossa programação normal.
Morreu ACM:
Esse dia estava anunciado há mais de um mês e todos pensavam que a família optaria por divulgar a data da morte do senador no dia 02 de julho, data magna da independência da Bahia do jugo português. Seria sintomático, por que não dizer, irônico também. Com a morte de ACM esperamos todos que morra também um jeito arcaico de se fazer política nesse estado, o nepotismo, o ranço coronelista que governou por mais de 40 anos o povo da Bahia.
Curiosamente o cortejo que acompanhou o corpo do político era formado por outros políticos de expressão nacional, autoridades diversas e o populacho. As entrevistas apresentadas na TV Bahia, de propriedade do morto e repetidora da Rede Globo, mostrava ora os canastrões de Brasília e ora os autênticos eleitores de ACM, gente simples, desdentados, figuras curiosas, como um ex menino de rua de terno e gravata com um cartaz que mais parecia um out door, não sei como ele conseguia segurar aquele troço, com letras garrafais enaltecendo as qualidades de ACM.
Se fosse para dizer da falta de virtude não sei o tamanho que teria o tal cartaz...
Nunca fui eleitor do senador, governador, ministro, prefeito, secretário de estado ACM. Nunca colaborei para que ele estivesse no poder. Sempre me orgulhei de votar na esquerda, de votar no PT. Esse orgulho descresceu e afundou desde a segunda eleição de Lula para presidente. Ali eu me deparei com a inevitabilidade de que o Brasil carece de homens públicos honrados. ACM e Lula são a mesma face de uma moeda podre, cada qual com seu jeito truculento de fazer política, ACM encarnava o coronelismo bonachão, autoritário, perverso, mas nem por isso destituído de um certo charme e elegância, oriundos da aura de baianidade que cercava seu modus vivendi.
Já Lula encarna o pior do peleguismo, da covardia, da absoluta falta de um planejamento para exercer o papel de comandante máximo desse país, que precisa de homens corajosos e honestos e não de um títere cheio de bravatas. A fortuna de Lula triplicou nesses anos de governo, o silêncio de Lula diante dos fatos é vergonhoso, a vaia recebida diante dos telespectadores das Américas que assistiam à abertura dos jogos Panamericanos é, como disse Daniela, uma falta de civilidade dos cariocas e demais brasileiros presentes ao evento.
Contudo, que isto lhe sirva de lição!
E soube que Lula bateu o pezinho, fez beiçinho e ficou bastante chateado. Será por isso que ele não foi a TV se pronunciar pelo pior acidente aéreo do país onde morreram mais de 200 pessoas? E no dia seguinte ainda teve a pachorra de dizer que não iria retaliar o povo carioca por conta do constrangimento recebido.
Faça-me rir, Lula!
Faça-me chorar, ACM.
O ditador baiano se foi e não faço parte da troupe que vibrou pelo seu passamento, muito embora viver 80 anos já seja o bastante nesse país, não? A pior queda do imperador foi a eleição do PT para o governo da Bahia. Que Jaques Wagner se debruce sobre o exemplo de ACM em seu amor incondicional à Bahia e deserde de Lula a arrogância peleguista.
JoHnNy::[12:33]
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Sábado, Julho 14, 2007
um abadá para cada dia
Essa frase que dá título ao post é de uma amiga, a atriz Patrícia Rammos, figura das mais interessantes com quem estou tendo o prazer de dividir algumas horas do meu dia, há mais de uma semana, nos ensaios da nossa participação na ópera O Cientista, em cartaz domingo e segunda na sala principal do Teatro Castro Alves. Um abadá para cada dia significa para mim que, mesmo sendo artistas, atores exatamente, temos que construir e interpretar um papel social, fora do palco, a cada dia, ou seja, vestir a camisa.
Sou de um tempo em que se aprendia que fazer teatro era no palco. Fora dali, do espaço cênico, local mais que sagrado para essa gente mágica e estranha que é o povo de teatro, deveria caber somente a verdade, única e inexorável. Só que na chamada vida real, acho engraçado esse termo, como se a vida não fosse real, quase sempre, o que cabe são mentiras. No palco também, aprendi que o que vale é a verdade, ainda que para se chegar lá, seja preciso inventar uma verdade.
Enfim, também, um abadá para cada dia pode ser a expressão de que se deve vestir uma camiseta colorida para pular a festa da vida e o seu dia a dia, com alegria ou dor, cada um escolhe o caminho, morrer ou ser feliz . Eu prefiro estar sempre de braços dados com a alegria. Cada um pode escolher também qual o sentido que essa frase melhor lhe aprouver. Então, decidi vestir meu abadá, ou melhor, decidi participar do elenco teatral da citada ópera O Cientista, uma produção do Theatro Municipal do Rio, em sua curtíssima temporada baiana, não pelo cachê, risível para os padrões mesmo de uma cidade como Salvador, onde se sabe, paga-se muito pouco, mas sobretudo pelo prazer de dividir o palco com colegas e amigos, os quais não tinha tido ainda o privilégio de atuar. Não temos uma fala sequer, mas não é necessário, tudo é na base da mise-en-scene. E cada encontro com um deles, Patrícia Rammos, André Tavares, Widoto Áquila, Frieda Guttman, é de um sabor que suprime palavras. Nem vou comentar do privilégio em pisar o palco do TCA com Dan Hudson, em sua estréia como ator. São 22 atores, 50 cantores líricos no côro, 5 solistas, mais de 100 músicos na orquestra, enfim, são mais de 200 pessoas envolvidas na produção. Os ensaios são a melhor parte, porque fazemos de horas, momentos e minutos dentro e fora da cena, muito divertidos e de trocas inestimáveis.
A ópera é linda, a música, a luz, o cenário com nove projetores e um telão evocando o Rio antigo, tem imagens alucinantes que povoam a mente do personagem principal, o cientista Oswaldo Cruz, médico e boêmio de um tempo em que o Brasil era mais honesto nas relações, mais puro, mais ingênuo, muito mais atrasado e ainda assim, menos ordinário.
(Maiores informações sobre a ópera, elenco musical, libreto e direção é só procurar no Google ou clicar aqui: O CIENTISTA, a ópera ).
JoHnNy::[17:44]
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Sábado, Julho 07, 2007
palmadas na bunda
O Brasil inteiro se indignou mais uma vez com a violência cometida pelos jovens cariocas contra uma empregada doméstica semana passada. Cinco mauricinhos da Barra voltando de uma balada resolveram agredir a pontapés uma mulher por pura diversão. Estavam detidos sob protestos dos pais, que consideram que seus filhos, jovens universitários com a vida toda pela frente não poderiam estar presos na mesma cela que marginais. E o que estes jovens cariocas são? Alegaram que agrediram a mulher pensando se tratar de uma prostituta. Como assim? Quer dizer que se for uma puta pode agredir e se for um índio dormindo em ponto de ônibus pode queimar até a morte? Alguém sabe dizer o que aconteceu com os jovens de Brasília que queimaram o índio Galdino?
Logo outra notícia escabrosa como essa será manchete dos jornais e todos esquecerão o fato. Só que não dá para esquecer!
O curioso é que esses dois casos estão separados por exatamente 10 anos, o índio foi queimado em abril de 1997 e a empregada confundida com a prostituta em junho de 2007. O que devemos esperar em 2017? Sugiro aos jovens de classe média alta desse país, entediados com a vidinha ordinária que levam, que queimem políticos canalhas, usurpadores do dinheiro público.
Não faltarão políticos desonestos para serem queimados e a melhor forma de se fazer isso é deixando de votar neles!
Pode parecer ingênuo esse raciocínio, mas não é, eu sei que o caso é muito mais profundo, é preciso mais educação nesse país, porque o povo que vota várias vezes num político com ficha corrida na polícia, como tem vários em Brasília, no mínimo carece de mais esclarecimento. Deixar de eleger esses corruptos é queimá-los e jogá-los no limbo da política.
No entanto, esses jovens de classe média carioca tiveram todos uma educação brilhante, inclusive um deles acaba de voltar de uma temporada de estudos na Austrália. Será que é uma questão de má índole mesmo?
Para terminar, leio estupefato no Jornal A Tarde, o de maior circulação na Bahia, o caso de jovens de classe média, também do bairro da Barra, só que em Salvador, que munidos de espingardas de paintball saem atirando em mulheres na calada da noite. Uma delas procurou a polícia e os jornais para denunciar, a foto dessa mulher mostra o braço enfaixado e pontos roxos provocados pelas balas disparadas que não matam, mas machucam bastante.
Esses jovens baianos, que circulam num corsa preto atirando em mulheres, merecem não apenas cadeia, mas uma surra bem dada dos pais, porque imitar os seus congêneres cariocas num estilo de perversidade tal só pode ser coisa de criança mal criada!
E, me desculpem os psicólogos e educadores modernos, mas para criança perversa umas boas palmadas não faz nada mal.
JoHnNy::[02:03]
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Domingo, Julho 01, 2007
e fiz aniversário
Esse ano não teve bolo nem vela. A velha cantiga que diz parabéns pra você nesta data querida teve sim. Esse ano viajei para a cidade onde nasci, Riachão do Jacuípe, interior da Bahia. Fazia muito, mas muito tempo que não ia lá. Tenho muitos parentes por parte de pai que vivem lá. Fazia tempo, muito tempo que não os via. Nos mudamos da cidade logo depois que meu pai morreu. Esse ano fiz aniversário e o que me dei de presente foi rever esses tios e primos que não via há anos. Acho que os vi quando era pequeno. Foi tão estranho e ao mesmo tempo emocionante reencontrá-los. Muitos eu não lembrava o nome, outros bastava olhar para que o nome viesse à memória. Com alguns o carinho era instantâneo, com outros a emoção vinha à flor da pele, outros tantos era um reencontro apenas.
Muito tempo se passou desde que saí de lá, eu era uma criança, voltei poucas vezes. Para os enterros de cada um de meus avós. Quatro vezes, cinco se tanto, uma dessas vezes voltei por qualquer motivo que não a morte. Dessa vez, agora, voltei para celebrar a vida.
Foi tão especial sentir o carinho de tia Alvinha e sua felicidade em poder nos receber em sua casa, tanta comida, tanta gentileza e sentimento de amizade que vem dela e de tio Didi, sempre tão íntegro e generoso. Foi emocionante rever tia Luzinha e seus olhos azuis de uma beleza ímpar. Cheguei próximo a ela como se fosse um estranho, de óculos escuros e perguntei:
- A senhora sabe onde mora dona Luzinha?
E ela abriu um sorriso e disse:
- É Jão!
Queria poder ter dito a cada um desses tios e primos do meu amor por eles e que eu estava ali para celebrar a vida. Celebrar a minha entrada num novo tempo no lugar que nasci. Na hora que a prima Edileuza discursou na fazenda de nosso tio da importância de estarmos ali festejando o São João e chamou a mim e a prima Joana, os aniversariantes do dia, para falar, apenas disse da felicidade de poder reatar os laços com a família do meu pai.
Eu podia ter dito mais, podia ter falado palavras belas, mas me contive emocionado.
Emoção maior foi saber que o irmão do meu pai, tio Osvaldo, disse:
- Se eu morrer agora, morro feliz por ter juntado todos os filhos de Ireno em minha casa!
Assim foi o primeiro dia dos meus quarenta anos de idade.
JoHnNy::[18:18]
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