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Quinta-feira, Novembro 30, 2006

hoje é o aniversário de 4 anos desse blog

Sábado, Novembro 30, 2002:

Sábado de sol, acordei tardão com uma preguiça descomunal. A vizinha ouvia uma música horrorosa e meu desejo era explodir seu aparelho de som e todos os discos que ela tivesse! Fiquei on line até quase cinco da manhã namorando pela web cam. Estou me apaixonando virtualmente, parece que vai rolar um encontro agora em dezembro. Vocês vão ficar sabendo de tudo por aqui... Hoje é aniversário de minha irmã, vou ligar pra ela mais tarde... Ainda não sei o que farei na noite...

Domingo, Novembro 30, 2003:

HOJE, COMPLETA UM ANINHO DE VIDA ESSE SACO DE PALAVRAS SOBRE A VIDA DESSE CARA, SUAS ARTES, SUAS MANHAS, SUAS MANIAS E SUAS TARAS... FAZ UM ANO QUE O BOKAPIU COMEÇOU. PRA QUEM NÃO SABE, BOCAPIO É UMA SACOLA MUITO COMUM NO NORDESTE QUE SERVE PARA CABER TODA SORTE DE COISAS. Nessa daqui além de caber um diário da minha vida, serviu e serve para fazer novas amizades e encurtar a distância dos amigos que estão longe! OBRIGADO A TODOS !!!

Terça-feira, Novembro 30, 2004:

aniversário do blog: 2 anos
aniversário do blog: ano II
aniversário do blog: 2 anos


Quinta-feira, Dezembro 02, 2004:

after party (direto da Holanda)

E o blog fez aniversário de dois anos no dia 30 de novembro, mesmo dia do aniversário da minha irmãzinha Nelci, digo irmãzinha porque embora ela seja mãe de duas lindas criancas ainda penso nela como uma irmã mais nova. E da festinha virtual pelo aniversário do blog só quem comeu do bolo foi quem visitou e comentou:

- Leo
- Mutatches
- Claudio
- J. Eduardo Mendes
- Cordelie K
- Dora
- Barbara
- Luise
- Dhan

Aos demais que aparecem e nao comentam, deixem de preguiça, façam um esforço, afinal é isso que faz um blogueiro feliz!


Sexta-feira, Dezembro 02, 2005:

E no dia 30 de novembro que passou esse blog completou 3 anos!
E eu sequer lembrei de parabenizar o pobre coitado...
tsc tsc tsc.
Que espécie de pai eu sou?


JoHnNy::[23:01] |


Quarta-feira, Novembro 22, 2006

e assim se passaram treze anos

Em 1993 eu estava namorando sério e como lua de mel resolvemos conhecer a península de Maraú, especificamente a aldeia de Barra Grande, que naquela época deveria ser uma vilazinha dessas bem bucólicas, de difícil acesso e ideal para um casal praticar os prazeres da carne. Só que atravessando a Baía pelo ferry boat alguém nos convenceu a dar uma passada antes em Morro de São Paulo, que há 13 anos era bem diferente dos dias de hoje com seus cyber cafés, lojas, restaurantes e israelenses em cada coqueiro, para não dizer em cada esquina, porque as esquinas ali quase não existem. Sei que nessa ida ao Morro para dar uma conferida, ficamos tão encantados que resolvemos não sair mais de lá. As férias acabaram, algum tempo depois o romance acabou e a vontade de conhecer Barra Grande foi sendo adiada por anos a fio. Agora, a minha querida irmã Mariuna está namorando um moço e o seu namorado desenvolve uma pesquisa para o mestrado sobre turismo justamente na paradisíaca Barra Grande. Com tantas idas e vindas, ela acabou me convencendo a ir conhecer o lugar. Aproveitei o último feriadão e preparei a mochila para enfim conhecer a península. Para minha sorte um dia antes da viagem comentei com Biazinha e ela me disse que Bruno estava indo para lá também e de carro, eu iria enfrentar 7 horas de buzão e mais uma hora de travessia do mar entre Salvador e a Ilha de Itaparica e mais uma hora de Camamu até Barra Grande, ou seja, algo em torno de 9 horas de viagem. Bem singelo para quem tinha apenas 4 dias para desfrutar das delícias de um feriadão.
Assim sendo, liguei para Bruno, nos encontramos num barzinho na noite anterior e acertamos que às 6 da manhã ele estaria me pegando em casa e partiríamos com destino ao paraíso. Nossas companheiras de viagem foram Taís e a húngara Polly que com sua incapacidade de falar português preferiu dormir do que ter que ouvir as maluquices que Bruno e Taís iam falando a viagem inteira!
A travessia entre Camamu e Barra Grande foi com direito a barco quebrado e um pouco de deriva no mar, ou seja, emoção desde o primeiro instante. Depois chegando lá, meus companheiros de viagem (havia um segundo carro com mais 3 pessoas) foram para a seletiva praia de Taipus de Fora, considerada a 3ª praia mais linda do Brasil, com seus recifes que formam piscinas naturais de todos os tamanhos e suas águas azuis de fazer cair o queixo! Fiquei rondando pela vila atrás de Mariuna e Ernesto. Nem me preocupei porque sabia que iria encontrá-los mais cedo ou mais tarde. O sinal de celular não funcionava, preferi tomar uma cerveja. Embora houvesse cyber café nem cogitei da idéia de sentar diante de um computador. Resolvi voltar ao porto e de longe avisto a minha irmã, seu namorado e mais um casal tranquilamente conversando num barzinho ao lado, estavam me esperando há algum tempo por ali e não me viram passar. Aliás, Ernesto disse que mostrou um cara de camisa vermelha e Mariuna achou que não poderia ser eu porque o cara era careca! Pelo que lembro no barco só havia um cara de camisa vermelha: eu! Ou o teor alcoólico de minha irmã já estava alto ou tenho que avisar ao cabeleireiro pra não cortar meus cabelos tão curtos, porque me recuso a estar ficando careca!
Os dias foram bem aprazíveis, embora eu não tenha pisado os pés no mar e nem mesmo tomado sol, tudo por conta dos cuidados com a tatuagem, ficava à sombra admirando a paisagem. Em compensação conheci muitos personagens que vivem no lugar e suas histórias de vida. Lá se encontra gente de todos os cantos e cada um reserva uma história mais interessante que outra. Tem a modelo que trabalhou muitos anos na Europa e hoje aos 40 anos, ainda muito linda, é garçonete no bar da Ponta (onde se pode vislumbar um belíssimo por do sol) e traz nos cabides do seu bangalô muitos vestidos legítimos que ganhou de Giorgio Armani. Tem um artista plástico que construiu seu próprio barco, com uma grande escultura de um anjo de 4 cabeças, que colocou na prôa e navegou sem nenhuma experiência do litoral do Ceará até Barra Grande por 45 dias enfrentando tormentas e a polícia marítima. Tem o engenheiro mineiro que abandonou a empresa e a família para viver o sonho de morar numa praia, percorreu o litoral nordestino da Bahia ao Maranhão e escolheu viver justamente ali e se diz feliz e realizado. Fui a festas de Halloween com nativos e turistas e conheci Taipus de Fora numa motocicleta alugada e Mariuna como piloto. A hospedagem e melhor ainda a simpatia de Ernesto e o astral de Mariuna garantiram dias tranquilos e realizei o sonho de conhecer Barra Grande 13 anos depois.

JoHnNy::[03:04] |


Quarta-feira, Novembro 08, 2006


quero ficar no teu corpo feito tatuagem

Depois de mais de duas décadas resolvi que iria cobrir a minha tatuagem, sim, eu me tatuei quando era um garotinho nos anos 80. Lembro bem daquele dia, eu estava adoentado com uma virose dessas de verão e passei a semana de cama. Uma vizinha, Rosângela, que era muito louca para os padrões do bairro, foi me visitar e mostrou a tatuagem que ela acabara de fazer. Não pensei em outra coisa assim que ela saiu. Bastava ficar bom que eu iria procurar o tatuador e mandaria aplicar um desenho de minha autoria. Só queria se fosse assim. Sou um desenhista frustrado, a única coisa que sei desenhar são coqueiros, mar, lua ou sol, estrelas e flores. Ah e perfil, uma coisa meio efígie. Munido de um desenho tosco de um lugar paradísiaco com dois coqueiros, sol e flores, me dirigi até uma sala de uma galeria de lojas em Feira de Santana num sábado de muito sol. Mostrei o desenho ao tatuador, ele deu uma melhorada e duas horas depois eu saía de lá, após sentir uma dor monstruosa, mas com uma felicidade estupenda por ostentar uma tatuagem na omoplata e ainda fazendo uma homenagem a um amigo, um daqueles coqueiros era ele, o outro era eu!
Quando o encontrei e disse isso a ele, ficou comovido e não acreditou. É que nos conhecemos quando crianças e fomos nos reencontrar adolescentes e sempre íamos a luaus na praia embaixo de coqueiros com uma turma de amigos e uma vez meio bêbado, fitando seus olhos verdes da mesma safra dos de Chico Buarque, eu disse a ele que éramos como aqueles dois coqueiros... Coisa de adolescente meio bêbado e nutrindo uma paixão platônica pelo amigo.
Os anos se passaram, meu amigo se casou, teve filho, engordou, mas deve ter ainda os lindos olhos e nunca mais o vi. Eu vivi um monte de coisas, corri mundo e a tatuagem foi comigo por onde eu fui, pelos palcos, por outros países, mares e montanhas. E envelheceu junto comigo. As cores se amainaram, o desenho se tornou um rabisco sem precisão. Outro dia uma colega de teatro que também tem uma tattoo antiga me disse:
"Essas nossas tatuagens depõem contra a gente!". E ficamos de procurar um tatuador para fazer uma cobertura. Por indicação fui com Priscila conhecer o estúdio de Banzai no Orixás Center. Gostei da energia dele mais do que o lugar e decidi que faria uma nova tatuagem cobrindo a antiga, mas quando contei a ele da homenagem ao amigo, ele sugeriu que eu mantivesse a homenagem e disse que iria dar uma melhorada no desenho. Fiquei feliz, porque no fundo não queria mudar o desenho. Isto decidido o jeito era achar uma vaga na agenda do tatuador, recém chegado de uma temporada de trabalho na Alemanha. Aliás, quando ele viu minha antiga tattoo, exultou dizendo que se tratava de algo no gênero old school e que agora na Europa isso é a última tendência em se tratando de tatuagem, ou seja, eu já era up to date e nem sabia. Assim, na quarta-feira passada enfrentei duas horas de agulhadas e saí do estúdio ostentando uma nova tatuagem, com traços mais leves e bastante colorida. Aqueles que vêem agora nem imaginam que ali em minhas costas havia um larucho, um desenho mal feito. Saí andando pela Direita da Piedade com um sorriso no rosto tal e qual um adolescente.

JoHnNy::[03:10] |