Sexta-feira, Julho 28, 2006
dias de guerra e amor
Dias de projetos diversos.
Viajo hoje pelo Domingueiras e retorno segunda-feira.
Meu amorzinho esteve aqui por quatro dias.
Dias de beijinhos nas costas e muito, muito carinho.
Fui à reestréia de "1,99", sete anos em cartaz, meu amigo Ricardo Castro continua firme, poético e interessante
em cena e na vida. Teatro Acbeu, curta temporada.
Dias de mais peças.
A companhia carioca Fudidos Privilegiados com a "Fonte dos Santos", o problema é o excessivo sotaque com os chiados dos "s" para personagens populares e a direção que é frouxa. Houve debate e o público saiu em debandada.
Dias de guerra no Líbano, enquanto Condoleezza Rice toca Brahms em homenagem às vítimas, bombas explodem no céu do Oriente Médio.
Dias de pedir que Deus nos proteja!
JoHnNy::[00:05]
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Terça-feira, Julho 18, 2006
na princesinha do sertão
Havia alguns anos que eu não ia a Feira de Santana, cidade em que morei nos anos 80, foi lá que efetivamente comecei a fazer teatro e onde fiz grandes amigos. Também foi lá que vivi meu primeiro amor, entrando na faculdade, tinha 17 anos. Nesse dia haveria uma apresentação de uma pianista russa no anfiteatro da UEFS e no programa tinha algumas peças de Rachmaninoff, compositor que eu começara a ouvir e estava curioso para presenciar a performance da russa. Ao entrar no auditório notei que havia pouca gente disposta a ouvir o concerto, então me posicionei estrategicamente diante do piano, só que ao mirar o outro lado da platéia vi um anjinho sentado, de longos cabelos encaracolados e durante toda a apresentação nos fitamos mutuamente. Não deu outra, prestei muito pouca atenção ao concerto e depois desse dia vivemos um romance que durou dois anos. Assim, aprendi a amar, a sofrer e a esperar... Esse anjo foi minha primeira grande paixão, trouxe muita alegria, mas também muita dor.
Semana passada voltei a Feira para trabalhar por 3 dias num workshop para professores dentro da Jornada Pedagógica. O reencontro com a cidade é estranho, tudo é bem diferente, natural depois de tanto tempo, ainda mais se tratando da segunda maior cidade da Bahia, com uma alta taxa de crescimento. Fiquei num hotel com demais intrutores da Jornada e nem tive tempo suficiente para rever amigos e familiares, tenho uma irmã e sobrinhos que moram na cidade.
Um desses dias almocei próximo ao shopping Iguatemi com Marcus, depois aproveitamos o tempo para passear. À noite, uma grande amiga dos tempos iniciais de teatro, Celly, me ligou e saímos à noite por uma ronda pelos barzinhos. Com a gente, meu primeiro diretor, Arailton, o Arara, moço de inteligência aguda e alta sensibilidade. O primeiro point que paramos foi o Bistrô, um barzinho que muito me lembrou os bares dos anos 80, aquele clima alternativo tardio, decoração absolutamente retrô. Depois fomos no Conexão, esse um bar mais moderninho, com frequência da juventude descolada da cidade. Não deu para esticar para a boate, eu tinha que acordar cedo pois a carga horária da Jornada foi puxada. Com Celly e Arara conversamos sobre nossas vidas, nossos sonhos, sobre ontem e sobre hoje, falei da viagem à Holanda, minhas experiências por lá e quando vimos eram mais de duas da manhã e eu tinha que acordar às 7h. Voltei para o hotel feliz pelo reencontro com os amigos. A cidade é outra e nessa época faz muito frio, mas os corações permanecem os mesmos, sempre quentes como o sertão.
JoHnNy::[13:19]
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Terça-feira, Julho 11, 2006
de chuva. de antro. de saudade. de música
Depois de quase uma semana de férias em Aracaju e namorando muito, diga-se de passagem, eis-me de volta à velha cidade da Bahia. É sempre bom dar um tempo de Salvador porque na volta é que reafirmo o amor por essa terra.
Hoje, saindo da aula de teatro fui ao shopping encontrar meu grande amigo Binho, uma meia hora que estávamos lá contamos umas 500 bibas passeando, sentadas, conversando animadamente ou simplesmente lanchando. Definitivamente o Center Lapa é o shopping dos gays da Bahia. O departamento de marketing deveria capitalizar essa idéia e lançar o Dia Rosa com promoções exclusivas para o segmento. Ao tentar sair daquele antro de purpurina nos deparamos com uma chuva torrencial que durou mais de três horas.
O jeito foi esperar o aguaceiro passar, enquanto isso devorei um enorme pão de batata com hamburger de frango, já que tô sem malhar e engordando a pança, vamos esculhambar de vez, até a vergonha na cara chegar e voltar aos ferros da academia.
A estréia da nova novela das 8 só serviu para aumentar a saudade de Amsterdam, parece que Monjardim conseguiu captar belas imagens da cidade, coisa nada difícil.
Ouço Marina Lima enquanto o sono não vem:
...Meu amor eu não esqueço
Não se esqueça por favor
Que eu voltarei depressa
Tão logo a noite acabe
Tão logo esse tempo passe
Para beijar você...
JoHnNy::[01:05]
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Sexta-feira, Julho 07, 2006
pra falar de amizade vale contar uma historinha
Não, não sou mal-humorado, estou bem longe disso, quem me conhece sabe, mas a febre verde-amarela já estava dando no saco!
Se o Brasil tivesse chegado às finais esse assunto ainda iria render por meses a fio. Prometi a mim mesmo que nem iria comentar o fracasso da milionária e "talentosa" seleção brasileira, mas já começo falando disso, mas é só pra dizer que assisti o jogo em Aracaju, onde passei os últimos seis dias, comendo caranguejo e pitu, me divertindo com alguém especial e também com parte da minha família querida que apareceu por lá. Fiz mais de 100 fotos e apesar das chuvas intensas, foram dias lindos.
Dia 04 foi aniversário de uma pessoa muito especial e chovia tanto em Aracaju que nem pude ir ao cyber para mandar um e-mail dizendo a ela tudo que direi agora para todo mundo ler!
Há exatamente um ano eu estava voltando de uma longa temporada fora de casa, passei 11 meses vivendo na Holanda e meu vôo de volta para Salvador saía de Lisboa, Portugal. Logo na entrada do avião encontrei Saulo da Banda Eva que me deu um sorriso e um abraço, ficamos ali conversando, ele vinha de shows pelo interior do país e estava cansado. Depois fui para o meu assento e ao meu lado estavam dois caras que conversavam alto demais e se mexiam o tempo todo. Pensei: "vai ser foda dormir aqui!". Dito e feito, o cara falava alto e até conversava com os amigos sentados mais à frente. Pedi que fizesse silêncio, mas ele ignorou. Depois descobri que esse idiota fazia parte do staff da Banda Eva, mas nem o fato de eu conhecer o vocalista da banda fez ele ser mais educado. Numa das saídas do falastrão olhei para uma jovem senhora que estava sentada com sua filha nas poltronas à direita da minha, seu olhar era de cumplicidade, comentei algo sobre o comportamento do moço e ela assentiu. Então, começamos a conversar, nossas poltronas eram próximas, separadas pelo corredor e assim atravessamos o Atlântico trocando impressões sobre nossas vidas, sobre como é viver na Europa, sobre a Bahia, sobre tanta coisa que ao fim da viagem a sensação que eu tinha era de que já a conhecia há séculos.
Talvez seja assim mesmo, talvez nossas almas já tenham viajado juntas por essa longa e louca estrada que é a existência. Não sei, o fato é que trocamos e-mails, telefones e desde então não mais perdemos contato. Essa mulher especial, que foi tão importante naquele avião, naquele momento que eu estava fragilizado, voltando para o Brasil com saudades de um amor que findava, com um cara chato ao lado que poderia transformar a viagem num pesadelo, foi uma dádiva que os céus colocaram ali para me alentar.
Obrigado, Saádia por sua amizade, por seu carinho, por seus conselhos e por sua existência!
Um grande beijo com toda minha verdade e admiração!
JoHnNy::[00:21]
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Sábado, Julho 01, 2006
Céu todo Azul
Chegar no Brasil por um atalho
Aracaju
Terra cajueiro papagaio
Araçazu
Moqueca de cação no João do Alho
Aracaju
Voltar ao Brasil por um atalho
Ser feliz
O melhor lugar é ser feliz
O melhor é ser feliz
Mas
Onde estou
Não importa tanto aonde vou
O melhor é ter amor
Aracaju
Cajueiro arara cor de sangue
Nordeste-Sul
Centro da cidade bangue-bangue
Aracaju
Menos o Sergipe e mais o mangue
Ser feliz
O melhor lugar é ser feliz
O melhor é ser feliz
Onde estou
Não importa tanto aonde vou
O melhor é ter amor
aracaju, caetano veloso, cinema transcendental, 1979
JoHnNy::[20:05]
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