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Sábado, Janeiro 28, 2006

quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo

E então que depois de uma certa produção fui parar em Santo Amaro para o show de Bethânia e suas convidadas. Ana Carolina foi ovacionada efusivamente pelas meninas de pochete que lotaram a praça da cidade do Recôncavo. Alcione visivelmente mais magra contou mais uma vez a história de uma fã de cabelos brancos que a chamou de "meu bujãozinho" num show em Salvador. Já tinha escutado isso, numa versão levemente diferente, numa outra apresentação que ela fez na Concha Acústica ano passado. Maria Bethânia, após meia hora de apresentação sendo acompanhada por músicos locais (que não fizeram feio, embora o som fosse de qualidade duvidosa!), deu espaço para Ana Carolina e ao voltar do camarim para fazerem uma música juntas mostrou que tinha tomado seu whisky pois estava bem "molinha", sem o rigor que geralmente apresenta em seus shows. Alcione também aproveitou do scotch da amiga com toda a certeza...
Foi um belo momento musical, embora as cantoras tenham errado as letras de algumas canções, talvez embaladas pelo teor alcoólico, nada que fosse um vexame, muito pelo contrário, estavam em estado de graça, descontraídas e simpáticas. Bethânia em toda sua altivez de diva abriu espaço para a juventude e a força quase masculina do canto de Ana Carolina. Alcione, parceira de Betha de longas décadas, deitou e rolou no que sabe fazer melhor, o samba! Embora tivesse homenageado Jamelão, compositor carioca, incitando o público a aplaudi-lo bem na terra que é berço do samba de roda que hoje é patrimônio imaterial da humanidade, título concedido pela Unesco. A Marrom perdeu a oportunidade, por exemplo, de reverenciar dona Edith do Prato, ícone do samba de Santo Amaro. Dona Edith, por sinal, aos 80 anos está velhinha e adoentada. Fui visitá-la há duas semanas quando estive na cidade para ver o Terno de Reis.
Talvez contagiado pelo clima do show, um dos amigos voltou completamente embriagado, fazendo todo mundo rir no carro com frases do tipo: "meu marido é meu marido!". Só perdeu a graça quando começou a vomitar e chamuscar todo mundo de perdigotos. Argh!
Voltamos para Salvador e fui dormir com a barra do dia levantando a saia...

JoHnNy::[03:56] |


Quarta-feira, Janeiro 25, 2006


música é perfume

Ontem fui assistir na Sala de Arte do Bahiano o documentário do francês Georges Gachot sobre Maria Bethânia. Li uma crítica dizendo que mesmo para quem não é fã da cantora o filme deveria interessar. Discordo! É um filme especialmente realizado para quem é amante da orixá baiana da canção. Eu jamais saíria de casa para assistir a duas horas de uma fita que falasse de Fagner, por exemplo. A visão do diretor é absolutamente européia em se tratando de mostrar as cidades Rio, Salvador e Santo Amaro da Purificação, berço da cantora. Não há belas paisagens, há longas tomadas mostrando ônibus urbanos, o povo nas ruas, catadores de papel, o balanço das ondas do mar, enquanto ao fundo se ouve a voz dramática de Bethânia entoando suas canções quase sempre de amor. Não há nenhuma novidade nos depoimentos de Caetano, Gil e Chico Buarque, nada que não tenhamos ouvido ou lido antes, aliás, não há novidade nenhuma, a personalidade de Bethânia não permitiria uma invasão tão de perto, ali está a cantora e seu ofício e como ela mesma diz: "Quando acordo sou tão banal".
Dentre todos os depoimentos o mais fantástico e que arranca risos da platéia é o de Dona Canô, quando ela comenta que a voz da filha era feia e na escola ela nunca era convidada a cantar, apenas para representar. E em outro momento ela diz que o nome de Bethânia foi escolhido por conta de uma canção daquele compositor "que já morreu, coitado!", dito com aquele sotaque bem baiano e gostoso do interior.
Por duas vezes fiquei emocionado ao ver na telona a diva cantando e segurei as lágrimas, até porque hoje estou indo a Santo Amaro assistir de perto o show que ela faz para a sua cidade, na praça, aberta a todo mundo e tendo como convidadas Adriana Calcanhoto, Alcione e Wanessa da Matta. Vou segurar a emoção para esse momento raro.
O documentário fica em cartaz essa semana e se o público gostar é capaz de dobrar, mas recomendo a quem gosta que vá logo assistir.

Ainda na linha biográfica, domingo fui assistir ao espetáculo de Deolindo Checcucci sobre Raul Seixas. Nunca fui fã de Raul, gosto muito da canção Gita e no máximo de uma outra que não lembro o nome. Como todo mundo, fiquei encantado com a construção do personagem título que o ator Nelito Reis faz do cantor baiano. Em alguns momentos achei a voz falada muito marcada, algo do tipo que aqueles dubladores de desenho animado fazem, uma cantilena monótona, mas nada que comprometa tanto. Talvez Raul Seixas falasse assim. Também, por vezes, o espetáculo é demasiadamente narrativo. Isso cansa. Há um final falso, recurso que eu não via há tempos no teatro e o final real deveria ser enxugado, se arrasta sem suscitar a emoção pretendida. Parece que não gostei, né? Pelo contrário, saí do teatro satisfeito. Fica em cartaz mais uma semana no TCA. É uma boa pedida!

JoHnNy::[05:09] |


Sábado, Janeiro 21, 2006

chateado mais que tudo

Acabo de ser assaltado com uma arma apontada para a cabeça. Não houve agressão física, a violência maior foi a psicológica e deixa uma sensação absurda de impotência e intranquilidade. Estava voltando da casa da minha irmã em Stella Maris, onde passamos uma tarde divertida, comendo, bebendo e dançando. Por sugestão de Fúlvio, decidi voltar mais cedo para não pegar o caminho de retorno ao centro da cidade à noite. Já de volta paramos na pracinha para tirar fotos com a estátua de Vinicius de Morais. Foi aí que os três marginais apareceram e um deles armado ameaçou nos matar caso resistíssemos. Levaram minha câmera digital (que nem é vendida no Brasil ainda), dois celulares, carteira, documentos, óculos de sol, relógio. Fui à delegacia dar queixa, fizeram uma diligência comigo por algumas favelas da região e nada, nenhum sinal dos bandidos. Agora ficamos sabemos que eles comeram no Lagoa Roska e ainda fizeram compras numa loja com o cartão de crédito de meu amigo.
Fico me perguntando que lição tirar dessas situações. Quem me conhece sabe que já fui assaltado várias vezes. Antes de ir morar na Europa fui roubado umas três vezes em 6 meses, uma média de assalto a cada dois meses. Desde que voltei, nada tinha me acontecido e eu estava dando graças aos céus, agora vem isso hoje jogar areia no meu bom humor. Não sei onde vai parar o caos social que é esse país, resta lamentar ou pegar o caminho de volta ao aeroporto?

JoHnNy::[22:59] |


Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

conjecturas de uma paixonite

Porque seria um amorzinho de verão delicioso se ele tivesse embarcado em meu desejo. O curioso é que antes da revelação a gente era uma espécie de "ficante", agora que me declarei para ele a reação foi de recuo. Só que ele recuou tanto, mas tanto que sinto que em breve nem abraço ele vai querer me dar! Os amigos a quem recorri em busca de conselhos disseram para eu me declarar, jogar as cartas na mesa e ver no que daria. O caso é o seguinte: Nos conhecemos há uns três anos e de vez em quando rolava algo entre nós. De uns dois meses pra cá passamos a andar juntos e a nos ver todos os dias. Tanto que todos passaram a pensar que éramos namorados. Nesse período rolou sim o que todos estão pensando, mas com o passar dos dias fomos ficando amigos, confidentes e tal e as emoções de ambos descambaram para lados opostos. Eu, tive uma queda por ele. Ele não, me vê agora como um daqueles ficantes com quem a transa não dá mais caldo... Viramos amigos! Fico pensando que talvez tivesse sido melhor se eu não abrisse a boca para externar o que estava sentindo, quem sabe assim a gente continuasse no rala e rola de antes?
Penso também que, com a continuação, seria fácil eu me apaixonar mais ainda e a coisa toda ficaria incontrolável.
Porque depois do anunciado a cada dia o sentimento diminui, ficará apenas e sobretudo a amizade, o que já é crédito dos bons!

Quero agradecer a todos que estão vibrando positivamente pelo restabelecimento da minha grande amiga Mariette, tantas vezes citada neste blog. Ela é como uma mãe para mim e vê-la numa cama de hospital deixa meu verão menos alegre.

JoHnNy::[03:05] |


Sábado, Janeiro 14, 2006

ponto e vírgula

Ensaio do Cortejo Afro na segunda com ele; lágrimas na cama pela madrugada, por ele; álcool circulando pelo sangue ainda na terça; sensação ruim na boca e no coração; carinho dos amigos; fazendo amizade com Stein, um ator holandês na cidade; papos esclarecedores na quarta, eu e ele; abraços na noite e sexo nem tanto pela manhã e já é quinta; Lavagem do Bonfim; caminhada de 8 quilômetros sob um sol causticante, mais uma vez com ele; efó em casa de Denise; hospital para visitar Mariette, ele junto; casamento de Carla na Igreja de Santo Antonio da Barra, muito prosecco e um buffet delicioso da Belly´s; dormir e acordar; sonhar sempre, não mais com ele...

JoHnNy::[23:46] |


Domingo, Janeiro 08, 2006


o polêmico padre pinto

A Bahia foi pega de surpresa essa semana com as imagens explosivas de um padre rezando a missa na Igreja da Lapinha como se estivesse numa boate realizando um show de drag queen! O padre Pinto, pároco da Igreja da Lapinha, resolveu soltar a franga deixando as beatas de cabelos em pé! A convite de Kleber fui ver de perto a exótica figura, mas chegando lá ele já havia se recolhido depois de executar suas coreografias que fariam inveja a Lenny Dale nos áureos tempos. O figurino do Padre, que pude ver pela televisão no Jornal da Globo, era um turbante de oncinha, maquiagem pesada, cílios postiços e até uma fantasia do orixã Oxum num amarelo capaz de ofuscar as vistas de qualquer cristão.
As apresentações dos ternos de Reis na Lapinha é uma prova concreta de que a Bahia ainda mantém vivas as tradições. É impressionante ver uma manifestação tão antiga de cultura ainda acontecer em tempos modernos. Um amigo paulista, radicado na Bahia, o diretor teatral Rino Carvalho, chorou ao assistir os ternos e se disse sentir mais brasileiro do que nunca naquele momento. No meio da maior bebedeira com os amigos, conheci um rapaz do bairro, apelidado de Pão Delícia, devo admitir que o codinome faz jus ao moço e como eu me mostrava curioso para saber mais sobre o padre Pinto que foi furor da mídia baiana essa semana, o Pão Delícia me confidenciou que o apelido do religioso por aquelas bandas era padre Pênis! Quanta malícia...

Para fechar a semana dos Reis Magos, fui a Santo Amaro da Purificação com Fúlvio para ver de perto o Terno do Sol apadrinhado por Dona Canô, a matriarca dos Velloso. Uma multidão vestida de branco cantou e dançou e a vetusta senhora de 98 anos acompanhou o terno e ainda ficou para a festa até uma da manhã. Pena que tio Caetano Velloso não veio esse ano porque está esperando o nascimento do neto. Moreno vai ser pai e o velho Cae, enfim, virou vovô!

JoHnNy::[20:25] |


Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

é ele o estivador seu suingue é o suor

Os primeiros minutos do ano novo foram com os pés nas águas mornas do Atlântico e vendo os fogos no céu da Praia do Forte. Amigos novos ao redor e a esperança de um ano melhor para o planeta. Os dias na casa de praia de Fúlvio em Barra de Jacuípe foram deliciosos. Só piscina e diversão!
De volta a Salvador, confusão com entupimento no banheiro e mais uma vez o pneu da moto tendo que trocar câmara de ar. O dito cujo baixou a caminho do ensaio do Cortejo Afro que nessa segunda recebeu Margareth Menezes e por isso aumentou de R$10 para R$30 o valor do ingresso. Esse Cortejo está me saindo melhor que a encomenda, não bastasse a presença maciça da classe média-branquela-que-pode-pagar e a quase ausência de negros num bloco que se diz AFRO e preza pela luta contra a discriminação racial (preza?!), aumentar o ingresso assim é no mínimo sinal de desrespeito.
Vai acabar como os Mascarados que conquistou o público gls e hoje está sendo boicotado por esse mesmo público, leia-se: falta de respeito. Ingressos caros, preço das pulseiras no bloco caríssimos e por conta disso cai no descrédito. Bom mesmo é assistir Jerônimo nas escadarias da Igreja dos Passos às terças-feiras, além do belo visual do lugar, o show é grátis e o público bonito e animado!
Nos vemos por lá...

JoHnNy::[14:18] |