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Sexta-feira, Setembro 30, 2005

sem comentários

Este blog depois de quase três anos foi indicado pelo Bloggerman. Quando isso acontece uma saraivada de comentários aparece nos blogs destacados, mas aqui misteriosamente o link para os comentários desapareceu, assim ficamos livres dos simples curiosos que deixam coments pedindo visita, mas perdemos também o contato com gente interessante que aparece motivada pela indicação. O texto que aparece na primeira página do Blogger.com é metido a engraçadinho e o nome Bokapiu foi grafado errado, reproduzo aqui para os leitores que não acessam a referida página:

"Pais normais costuma (sic) dizer para não entrarmos em brigas, mas caso entremos, não podemos voltar para casa surrados. Então, o que podemos falar de um sujeito que tomou um cruzado de esquerda de um mosquito?! Bem, vamos levar em conta que estava escuro e que o rapaz voltava de um trabalho social... Mas que ele apanhou de um inseto ridículo, apanhou! Conheçam o Bokapui, mas não riam dele, não é muito ético caçoar os oprimidos.
- BloggerMan [28.9.05] "


JoHnNy::[21:13] |


Segunda-feira, Setembro 26, 2005

de olho vermelho

A viagem ao sul da Bahia foi cansativa, o horário marcado para sair na sexta-feira era às 6:30 da manhã, mas atrasaram e acabamos saindo às 7:00. Chegamos ao destino final mais de 8 horas da noite! Isso depois de irmos até Porto Seguro e ainda pegarmos uma balsa para atravessar o rio em Santa Cruz de Cabrália. A equipe dessa vez foi completamente diferente, três deles não pararam de falar durante 4 horas de viagem e eu doido para dormir. Uma delas comentou sobre a peregrinação que fez do Caminho de Santiago de Compostela. Dessa vez a van era de um desconforto mais que o permitido.
A cidade de Belmonte parece esquecida no tempo, como o acesso é difícil, tudo é complicado, embora tenha lá um cyber café com acesso a internet que fica lotado desde as primeiras horas da manhã, no sábado tinha até uma freirinha freneticamente teclando.
O workshop foi para adolescentes divertidos, muitos deles nunca saíram da cidade, mas nem de longe parecem diferentes dos adolescentes da cidade grande. A primeira parte da oficina foi um longo bate-papo sobre eles, os sonhos, sobre fazer teatro e a relação com a cidade. Depois fizemos alguns exercícios e criamos cenas com fatos interessantes que aconteceram no município.
Precisei voltar no sábado à noite para Salvador por conta do ensaio do show, porque a equipe só retornaria na segunda. Para isso precisamos alugar um barco até Canavieiras, que veio pelas águas do rio Jequitinhonha à noite, entre árvores e a escuridão, só avistávamos o céu estrelado e as ondas que o barco fazia. Eu e o maestro Helder Leite nessa aventura!
De Canavieiras pegamos um ônibus até Itabuna e de lá até Salvador. Adorei a viagem no pequeno barco de 4 metros por 1 metro de largura, embora quando esse chegou na parte do mar (que eles chamam de barra) fiquei assustado. Outro contratempo foi o pequeno mosquito que se alojou em meu olho durante o trajeto, deixando-o irritado e avermelhado até hoje. E haja colírio!

JoHnNy::[13:30] |


Quinta-feira, Setembro 22, 2005

tanta estrada

Uma grande amiga está com câncer no couro cabeludo, vai entrar naquele processo de rádio e quimioterapia. Estive no hospital ontem com ela e a médica está esperançosa. Eu também. Torço por minha amiga que é uma mulher dessas que tem muito ainda a dizer ao mundo e mesmo com uma idade avançada não merece passar por esse sofrimento. Mas quem sou eu para dizer isso? Sei que estarei com ela em todos os momentos e peço a Deus que minimize a sua dor.
Amanhã viajo para um workshop na cidade de Belmonte, próximo a Porto Seguro, dentro do Projeto Domingueiras. É mais uma cidade a visitar, mais estrada a percorrer, porque pelo que soube não é perto. Volto no domingo porque segunda tem ensaio geral do show "A Vila do Divino" na Sala do Coro, o repertório está bonito e Carol e Paulo estão cantando divinamente, com perdão do trocadilho. Eles estão motivados e querendo dar o melhor. Haverá participação de Denny da Timbalada e Renatinho do Tchan, ambos de Camaçari, mas cantando MPB, ainda bem! Saí mais animado ontem do ensaio, embora a tristeza por minha amiga me persiga.

JoHnNy::[12:59] |


Segunda-feira, Setembro 19, 2005

evolui, Daniela!

Dias que antecedem a primavera com um clima de praticamente verão. Durante a noite faz um calor absurdo! É sempre assim...
O fim de semana foi de balada com o cada vez mais irrequieto Thiago. Fomos ao Jazz no Pátio na sexta onde encontrei vários amigos, Jamile que não via há tempos, recém chegada da França, Suzana que veio da Holanda e os locais: Lucas, Cristina, Larissa, Relva e mais tarde Soc. De lá, fomos em galera ao acarajé da Cira, depois Crepe da Cidade e finalmente Miss Modular. Bacana fez mais um eletrizante set de house, a ferveção só acabou quando o dia nasceu.
No sábado almoçamos na Barra, fomos ver o por do sol no Porto, assistimos a Cacilda, uma peça de absurdo no Vila Velha, depois fomos comer siri bóia na Pedra Furada.
Ando preocupado com a saúde da minha querida Mariette, amanhã ela irá ao médico e torço para que o diagnóstico seja o mais brando possível.
Os dois principais times da Bahia caíram para a terceira divisão. Um fiasco que deixou os torcedores tristes e tem rendido matérias na televisão há duas semanas. Interessante foi ver o goleiro Jean jurar que não abandona o barco e decantar seu amor ao clube. Mas segurar bola que é bom, nada! Dizem que ele é do babado, assim como andam dizendo as boas e as más línguas que a cantora Daniela Mercury está namorando uma mulher, por conta disso se transformou, está mais relaxada e feliz. Como diz Ricardinho Castro:
"Quando uma mulher evolui, namora com outra!"

JoHnNy::[19:01] |


Quarta-feira, Setembro 14, 2005

o que será que ela diz?

O retorno a Salvador foi tranquilo, acordamos às 3:30 da madrugada e às 4:00 estávamos na estrada. Poucas paradas e, doze horas depois, já próximo à capital fiquei no caminho onde peguei um buzu pra Camaçari. Fui assistir ao ensaio em estúdio do show "A Vila do Divino" de Carol Assemany e Paulo Carrilho, farei a direção artística dia 27 na Sala do Coro do Teatro Castro Alves em homenagem ao aniversário da cidade. Só quase duas da manhã é que fui dormir conversando com Mainha que me deixou a par sobre várias pessoas da família de quem eu não ouvia falar há séculos. Um primo que virou músico no Tocantins, outro que abriu uma academia de musculação no interior, a prima solteirona que engravidou, uma outra que pintou os cabelos de loiro e faz transporte escolar numa van, outra prima que se deu bem na Espanha, a tia que deu 3 mil reais pra igreja...
E eu ia perguntando e minha mãe relatando a situação de cada um. Dormi pensando no que será que ela responde quando alguém pergunta por mim?

JoHnNy::[15:05] |


Domingo, Setembro 11, 2005

direto do sertão

Depois de 12 horas dentro de uma van, enfrentando buracos dignos da lua, chegamos ao semi árido baiano, mais precisamente à cidade de Caetité. Vim participar do Projeto Domingueiras, dando um workshop de teatro para os jovens da região. O grupo que me acompanha é bem interessante: a produtora cultural e agitadora da cena eletrônica baiana, Luciana Moniz, a fotógrafa Valéria Simões, o maestro Ângelo Rafael, o músico da orquestra sinfônica Gerson, um jovem produtor de nome esquisito chamado Corbi e a captadora de recursos paulista Viviane.
Estamos no hotel Palace, cuja decoração é uma homenagem ao kitsch. A oficina foi ontem à tarde para um grupo de 23 participantes. À noite haveria demonstrações culturais com shows e peças, mas a chuva não deu trégua e fez um frio danado. Hoje subi a serra para ver a estátua do Cristo que abraça a cidade e nesse momento escrevo de um computador da Casa Anísio Teixeira, um dos maiores educadores e pensadores desse país. Já tinha ouvido falar dele, mas não sabia o tamanho da sua importância para a história da educação brasileira.
Agora vou aproveitar o sol brilhando lá fora e o vento frio para fotografar! Bom domingo a todos!

JoHnNy::[11:26] |


Segunda-feira, Setembro 05, 2005

a parada parou tudo!

Uma multidão se concentrou no Campo Grande para a abertura da 4ª Parada Gay da Bahia, o evento mostrou melhor infra-estrutura esse ano, sem manchas de dúvida (como diria Baggageryer!), mas o excesso de discursos antes da saída enche o saco! Claro que eu acho que uma Parada não deve ser apenas motivo de festa, gandaia e esculhambação, tem que ter o blá blá blá, mas o ranço das falas é que incomoda e o tiro acaba saindo pela culatra. Os gritos de Mott dizendo que "a Bahia é gay", "Salvador é gay", "abaixo Falabella", esse último por conta dos personagens estereotipados que o autor colocou numa novela, ecoaram por toda a Avenida Sete. Não assisto novelas desde que voltei ao Brasil e espero me manter longe delas, por isso nem posso opinar se Falabella deve ser execrado pelos gays combatentes ou não.
Também não vi o queridinho dos gays brasileiros, o Jean Willys BBB, soube apenas que foi aplaudido e circulou com seguranças!
Com um grupo de amigos demoramos cerca de 4 horas para fazer todo o percurso da Parada, seguindo o trio da Off Club que tocava música eletrônica. Parecia um carnaval diferente, o traço negativo foi a enorme quantidade de moleques trombadinhas metendo as mãos nos bolsos das bichas tentando arrancar carteiras, celulares, dinheiro ou qualquer outra coisa de valor. Um terror!
Do bolso do Tim Van der Moer, meu amigo holandês, hospedado em casa desde a última sexta-feira, levaram apenas o cartão de um restaurante onde almoçamos mais cedo. Ele ficou encantado com a moqueca de arraia e pretendia voltar lá essa semana. Quando o moleque enfiou a mão em seu bolso e saiu correndo, o loiro de olhos azuis ficou indignado com a ousadia e gritava em português:
- Devolve o cartão da moqueca, devolve!
Quando tudo acabou, tentamos entrar no Beco dos Artistas, mas foi impossível. Terminamos na Barra tomando cervejas e extenuados voltamos pra casa.

JoHnNy::[19:59] |


Sexta-feira, Setembro 02, 2005

ouvindo sobre sexo

E lá estou eu ontem no auditório lotado da Biblioteca dos Barris assistindo ao debate dentro do 2º Festival da Livre Expressão Sexual. Compondo a mesa estavam Ricardo Líper, professor de filosofia da UFBA, foi meu professor nessa mesma matéria há anos, Roberto Albergaria, famoso antrópologo baiano, polêmico e engraçado, a travesti Keyla Simpson e o antrópologo inglês Edward MacRae. Ricardo falou sobre "Fantasias Sexuais e Fetiches no Sexo entre Homens". Contou muitas das suas experiências e arrancou risos frouxos da platéia com observações inteligentes e sarcásticas sobre o fetiche e as relações homossexuais na cidade do Salvador. Entre outras coisas revelou que não acredita no heterossexualismo, recorrendo aos animais, falando de ferômonios e estros. Foi categórico em dizer que não existe um homem que não "faça", deve ter sido mal cantado!
Já a travesti Keyla Simpson contou sua experiência na Itália, as taras dos clientes e, bem articulada (é presidente da ATRAS, Associação de Travestis de Salvador), revelou os fetiches dos clientes baianos também. Um deles sai de carro na noite, apanha um travesti na rua, se veste de empregada doméstica, dá banho no travesti, lava seus cabelos, faz um delicioso jantar, depois devolve o travesti ao ponto e nunca goza. A tara está em servir e cuidar do outro!
Um outro cliente, desta vez em Recife, pede que o travesti se deite num caixão de defunto e se finja de morto, enquanto isso o cliente se masturba e goza, sem trocar uma palavra com o profissional do sexo! A fala de Keyla foi intitulada: "Pérolas de uma Travesti: Taras mal contadas e bem vividas".
Já Albergaria explicitou o universo das piriguetes e dos putões, para quem não é da Bahia, piriguetes são as garotas que frequentam os ambientes do pagode baiano, com suas saias curtas, muita maquilagem e altíssima sensualidade. Os putões são o equivalente masculino, e que segundo Albergaria traz um componente de sensibilidade com um jeito de corpo mais maleável, sem medo de rebolar, desconstruindo o estereótipo do macho duro e viril.
Alguém da platéia resolveu criticar a palestra porque sentiu falta de uma abordagem psicanalítica da coisa, no que foi duramente rebatido pela mesa, que lembrou que Freud deve ser lido como um clássico, deveras importante para sua época, mas que não encerra definitivamente o pulsante comportamento humano.
Foi no mínimo interessante a noite de ontem, hoje prossegue com o tema Literatura e Homoerotismo.
A programação do Festival conta também com performances e filmes sobre a temática sexual.
É para ir esquentando antes da Parada de domingo!

JoHnNy::[13:54] |