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Sábado, Outubro 30, 2004


o couro tah comendo
E de quinta a domingo dessa semana a cidade de Amsterdam se transforma na capital leather do mundo. Uma quantidade absurda de homens vestidos em calcas e casacos de couro invadem os bares, vindos de toda a parte da Europa e dos Estados Unidos e a coisa pega fogo. Eh muita atitude! Dai que ontem eu estava tranquilamente devorando um sanduiche na Kentuck Fried Chinken (meu fast food preferido) quando avisto aquela pessoa conhecida portando um casaco de couro na atitude mais leather do mundo, como se fosse a coisa mais familiar e no Pelourinho fosse o modelito que ele usasse. Nao pude deixar de gritar: "Fulano!". O susto do rapaz foi imenso, deu ateh um pulo para tras! Notei que ele ficou sem graca, jamais esperava me encontrar por essas bandas, mas deixei-o a vontade. E comentou que aproveitou o feriadao no Brasil para dar uma circulada por Amsterdam e Londres. (Que chique, hem?) E pediu dicas do que fazer. Eu disse que a cidade tava vivendo o Leather Pride e ele disse que estava muito cansado e iria para o hotel relaxar...
Meia hora depois circulando com Marcello pela cena hard, adivinha quem encontramos? O fulano, dessa vez sem o casaco, com cintos pretos no torax e se jogando na bagaceira! Esses baianos sao danados mesmo!
O show do Caetano serviu para encontrar umas pessoas interessantes que mexem com arte nessa cidade. Troquei telefones com Marcos, um outro cara de Salvador que mora aqui ha mais de um ano, ele me ligou, esta ensaiando uma peca de teatro e quer me colocar em contato com o grupo. Essa semana vou la dar uma olhada nos ensaios, mas o que eu quero mesmo eh ganhar dinheiro! Aqui se gasta muito e se voce nao repoe o que consome, as reservas vao embora!
Quem aih tem um casaquinho de couro para eu ir ali ? hahahaha

JoHnNy::[10:05] |


Quarta-feira, Outubro 27, 2004


caetaneando na holanda
Cartazes espalhados por toda a cidade, os amigos brasileiros todos dizendo que iam assistir, os holandeses tambem, resolvo ir de ultima hora, afinal 51,50 euros eh muito investimento para se fazer por um show, ainda mais de um artista a quem voce ja assistiu uma dezena de vezes e por quem sua admiracao vem caindo gradualmente ano apos ano. Enfim, diante da novidade da coisa, a primeira vez que Caetano se apresenta na Holanda e eu estando aqui, sucumbi ao chamado de Andre e la fomos nos numa pequena troupe no carro de Kris ate o longiquo Heineken Music Hall. Na entrada uma linda menina que eu so conhecia de fotolog veio falar comigo, Mariana. Os nossos ingressos eram nas filas da tribuna la do fundo, mas apesar da imensa sala estar lotada conseguimos todos sentar em lugares separados na frente. Fiquei na sexta fila. Os primeiros quarenta minutos Caetano faz o show sentado, com uma coreografia de bracos e pernas que o seu corpo franzino nao colabora, parecia um mamulengo, um titere, definitivamente o velho Cae nao eh nem sombra do que ja foi um dia. O repertorio ate mais da metade do show era de standarts da musica americana gravadas em seu mais recente disco, Foreign Sounds. Pouca ou nenhuma inventividade nos arranjos e na interpretacao, diferente do que ele conseguira fazer 10 anos atras com o repertorio em espanhol. Aos poucos se ouvia a plateia gritar: "canta em portugues" e nao eram so brasileiros que gritavam, os holandeses tambem. Ele para o show, pede que acendam as luzes da plateia e avisa que aquele era o show anunciado e que deixassem ele continuar. E que ia falar em ingles em respeito aos que nao entendiam portugues naquela sala. Insinuou que quem estava gritando eram os brasileiros, um holandes levanta e diz: "eu sou holandes e falo portugues" e Caetano disse: "Fala bem pra caralho" e desatou a dizer q se concentrou muito nesse show e etc e tal. Uns vinte minutos de falacao e pagacao para os ouvidos de todos. Quem ousava dizer alguma coisa ouvia um sonoro "Shut Up!!!".
Tudo bem, o artista tem que ser respeitado, aquele e o trabalho que ele preparou, mas a essa altura da vida Caetano deveria ter mais habilidade para lidar com esse tipo de situacao, por vezes foi deselegante e arriscou tornar o clima do show baixo astral. Mas isso nao aconteceu. La mais pro final ele comecou a cantar uns sambas e atacou de "Brasil Pandeiro" com um arranjo especial de Jacques Morelenbaum. Meus olhos se encheram d'agua e meu coracao ficou mais apertado. Mais alguma cancoes em portugues e o bis com "Mamae eu Quero" e uma pequena multidao em pe na frente do palco.
Depois Lucas e Chris foram pedir aos segurancas para falar com Caetano no camarim, entraram e desapareceram. Foram abduzidos pelo cantor! Na foto, Lucas e um pedaco do casaco amarelo de Kris. Eu, Andre e Laureens fomos para o mezzanino curtir uma festa com musica brasileira e muita gente, tomamos cervejas e me diverti muito. Conheci uma meia duzia de brazucas interessantes e surgiu a ideia de uma performance hilaria com Ana Aragao, por enquanto eh segredo, mas vem novidades por ai...

JoHnNy::[09:14] |


Segunda-feira, Outubro 25, 2004

outono no norte
O merito de transformar a tempestade num simples copo d'agua veio de Andre. Ele riu do meu problema e disse apenas: relaxe! Ele esta aqui ha 5 anos e sabe o caminho das pedras. Talvez eu esteja me exigindo muito, talvez seja ansiedade de que as coisas acontecam logo, talvez eu queira atropelar o processo. Darei tempo ao tempo. O outono na Europa eh mesmo uma estacao romantica. Andando no parque ve-se um tapete de folhas embaixo das arvores. Agora a noite voltando da festa no De Trut atravessamos de bicicleta o Vondelpark e a lua cheia refletida no lago faz ver o quanto esse planeta eh lindo. O quanto eh bom estar vivo e melhor ainda poder contar com os amigos, os proximos e os distantes. Sabado rolou a festa de aniversario do Willem em Almere, fomos eu, Andre e Lucas cantando no trem e assim chamando a atencao dos holandeses calados que nos olham entre surpresos e curiosos. Lucas estah morando com a gente, o tempo todo passamos cantando e fazendo parodias, quanto ele estah ao violao entao eh uma festa. O aniversario do Willem teve uma mesa farta: moqueca de camarao, frango, feijao preto, arroz, guarana antarctica e goiabada. Claro q comemos e repetimos. Depois que a familia do aniversariante se foi, vale dizer q a mae do Willem eh uma holandesa simpatississima, chegaram os amigos do namorado dele, entre eles, duas travas equatorianas. Uma delas bizarra, bem mocoronga e a outra linda, com um corpo e jeito tal e qual uma mulher, seu nome: Sheyla. Ambas acompanhadas de seus respectivos maridos. O da Sheyla, um rapazinho fofo de olhos verdes, 22 anos, o da outra um coroa bem alegre. O que eu ouvi da Sheyla: "Mi hijo tiene 13 anos menos que yo, mas para o amor no hay idade". E jogou os longos cabelos para o lado e saiu fagueira. Antes ainda ouviu o meu comentario: "Mas tu eres tan guapa que jamas te daria todos esos anos, no maximo 20!". Pronto, ganhei a simpatia da transexual. Sim, foi assim que mais tarde ela se definiu. Disse que eh filha de pai brasileiro e mae venezuelana, nasceu no Caribe, foi criada no Equador e hoje mora na Holanda, mas eh uma mulher do mundo. Entao tah entao! De volta a Amsterdam me encontrei com Ersid e fomos parar no The Eagle, um lugar inapropriado para quem nao curte emocoes fortes, me diverti muito com ele tentando pronunciar meu nome e dizendo que Joao se parece com o masculino de Chiuahua. Na madrugada tamanha ele me deu uma carona ateh em casa, depois de rodar bastante ateh encontrar o meu bairro, e retornou para Rotterdam.

JoHnNy::[00:00] |


Sexta-feira, Outubro 22, 2004

achar perder encontrar fazer refazer o caminho
Vamos combinar que o dia de hoje merece ser esquecido. Sabe um daqueles dias em que tudo vai dando errado numa sucessao de acontecimentos aparentemente banais mas que acabam mexendo com um lado que voce queria que estivesse adormecido? Pois bem, esta sexta feira foi assim e o gosto acre-doce ainda permanece na boca. Esses dias longe da minha vida anterior tem servido para pensar tanta coisa. Aos poucos com o distanciamento vou concatenando as ideias e percebendo o quanto corajoso e inconsequente eu fui. Corajoso por deixar tudo para tras e inconsequente porque desconheco o que virah. Como bem disse Ricardinho num comentario anterior, "Vc é o cara e o único que pode escolher o melhor caminho para seguir! Ainda que este caminho esteja atrás. Basta se virar e tudo que estava atrás fica na frente de novo!". Hoje foi um desses dias em que a vontade foi de me virar e abracar o caminho que estava por tras, mas sigo adiante, olhando para a frente, consciencioso de que eh um privilegio poder estar experimentando viver em outro pais, com todas as consequencias que isso implica: saudades, falta dos parentes, amigos, da boa comida, do sol, da praia, do teatro. Enfim, havera uma licao a aprender no fim do caminho. Quem sabe ateh antes, no meio, ao lado, em cima ou embaixo...

JoHnNy::[19:40] |


Terça-feira, Outubro 19, 2004

passinho para a frente
A mudanca de casa foi bem cansativa. Na sexta tive que acordar bem cedo para dar uma forca a Orlando e quando retornei fui logo pegando o trabalhao da mudanca do terceiro andar. Ainda bem que estavamos em 3: Andre, Lucas e eu. E haja carregar caixas e coisas para o andar terreo e em seguida para o caminhao. Depois acompanhei Lucas ate o West para carregar o caminhao com o material do espetaculo que veio de Barcelona. A nova casa eh bacana, mais espacosa e num bairro muito interessante. No fim da tarde arrumei tempo para me despedir de Russel que partiu para Paris. O fim de semana foi arrumando a casa e saindo a noite com Marcello para uma jogacao basica que ninguem eh de ferro. No domingo enfrentamos mais de uma hora de fila para eu conhecer o DE TRUT, um espaco alternativo onde rolam festas so no domingo, a cerveja eh mais barata (1 euro, o normal eh pagar 2,50 e 3), a entrada custa apenas 1,50 euros e a capacidade do espaco eh de 80 pessoas. Por isso a fila. Eh um saindo e outro entrando. A quantidade de gente bonita compensa a longa espera. Uns olhares para lah e para cah acabaram rendendo uns beijos, afinal a fila tem que andar, nao eh mesmo?

JoHnNy::[20:58] |


Sábado, Outubro 16, 2004

encontro e despedida
Um deles eh acordado com um cafe da manha surpresa, croissant, yogurte, pao integral,
suco, queijo, beijos na cama.
O frio pede calma, depois do ato um pouco de sono para recuperar energia.
O sol aparece timido, eles montam em suas bicicletas e saem sem destino pela cidade.
Pedalam e se olham a distancia. Se aproximam e se beijam.
Tarde de outono no parque, cachorro quente, cha gelado, eles deitados na grama verde, cancoes que saem da garganta, anoitecer chegando.
Mais tarde andam em busca de um restaurante moderninho, escolhem comer massa.
Mais tarde ainda circulam pelos bares, caipirinha, cervejas, beijos e cama...
Sim, esses foram dias de romance, mensagens pelo celular, ligacoes para saber como andam as coisas, atencao e cuidados um com o outro.
Isso eh bom, mas durou pouco. Um deles foi para Paris e de la para o Marrocos. Depois, o caminho de casa: Oceania.
Curto e intenso encontro. Tranquila, serena e poetica despedida.
Na partida, um deles estatico sendo desenhado pelo outro como para congelar o instante.






JoHnNy::[18:25] |


Terça-feira, Outubro 12, 2004


gael garcia bernal em la mala educacion
Diazinho bem agradável. Logo pela manhã sou avisado de que agora sou o mais novo proprietário de uma bicicleta, o meio de transporte mais popular na Holanda. Um amigo de André está se mudando e vendeu sua bike bem baratinha para mim. Já apelidei a magrela de Cindy. Uma homenagem a Cindy Lauper, a desaparecida e divertida musa pop dos 80's. No meio da tarde fui ajudar Orlando nuns afazeres domésticos e em troca recebi uma nota de dez euros. Fui de tran (os trens de superfície que cortam a cidade) até a casa nova levar uns sapatos velhos para Dé e buscar a Cindy, ele a levara para lá e na volta ainda meio trôpego em cima da coitada fui de encontro a um carro vermelho conduzido por um velhinho e quase atropelo o carro, arranhando os fundos do mesmo. Ainda preciso me acostumar mais com isso dos freios serem nos pedais. Mas chego lá!
Encontrei com o amigo australiano, Russel, na porta do cine Pathé, um moderno complexo de salas de cinema cuja iluminação frontal foi projetada por um brasileiro, fomos assistir ao filme do Almodóvar, La Mala Educacion.
Perfeitamente compreensível o espanhol para mim, muito mais do que para meu amigo, obviamente. Ele fala bem italiano, morou muito tempo em Roma, mas quem entende português está muito mais perto do espanhol, assim ele se ressentiu de não entender algumas passagens.
O filme é um exercício maduro do Almodovar e muito corajoso em abordar a pedofilia dentro da Igreja. A Espanha, um país tão católico, com certeza deve ter-se incomodado com o dedo do cineasta na ferida. Estão lá todos os ingredientes que fazem a festa dos admiradores de Almodóvar, eu incluído: o melodrama, a exacerbação dos desejos, cenários e figurinos kitschs, as músicas bregas (Quizas, quizas, quizas, Moon River numa versão espanhola, etc), travestis dublando e principalmente uma história bem contada.
Gael Garcia Bernal demonstra mais uma vez porque é considerado a grande promessa do cinema latino americano. O moço dá provas incontestáveis do seu talento, faz quatro personagens, incluindo um travesti com bunda postiça e se sai muito bem na empreitada. Falando em bunda, um close na bunda do rapaz fez metade da sala suspirar.
Enfim, esta película, só para ficar na coisa chata de comparar, não é melhor que Hable com Ella, com certeza, mas ainda assim é um bom filme.
Depois fomos comer numa pizzaria italiana e encerramos a noite tomando um drink no bar April.
Voltei para casa cortando o vento em cima da magrela Cindy.

JoHnNy::[23:33] |


Segunda-feira, Outubro 11, 2004


onde estão os meus óculos?
O frio chegou de verdade, pelo menos para mim. Segundo Ingrid, deu na televisão que a temperatura na madrugada atingiu os 2 graus. Acabo de ver num site que mostra o clima no mundo que neste momento está 9 graus, mas a sensação térmica é de Zero. Isso mesmo, zero grau! A coisa que eu mais repetia no auge do verão em Salvador era que o mundo deveria ser arcondicionalizado, agora vivo dentro de um freezer e acho q o mundo deveria ser tropicalizado. Vai entender os desejos humanos...
Bem, a farra do sábado ia começar por uma visita a um parque um pouco distante do Centro, mas acabamos enrolando em casa e o sol foi embora, fomos fazer umas comprinhas no mercado e me diverti vendo um casal vestido como bruxos, uma moça e um rapaz de aparência soturna, ela de longos cabelos pretos e unhas bizarras e ele também de cabelos longos, só que loiros e os dois usando sobretudos pretos e calças largas. O detalhe é que ele andava com uma bengala só por charme. Onde eu ia no mercado lá estavam eles. Figuraças! Aliás, gente excêntrica é o que não falta por aqui, é coisa mais do que comum.
Agora, estranho mesmo são aqueles caras que se vestem de couro preto, calça e casaco, só que aquelas calças onde a bunda aparece. Nos bares gls é muito comum se ver aquelas bundas branquelas, às vezes meio caída, andando para lá e para cá. Uma coisa meio San Francisco da década de 70! Argh!
Sair com Marcellinho é certeza de jogação pura, André costuma dizer que "Saia com Marcello e eu direi quem tu és". A resposta? Um libertino, no mínimo!
Fomos parar num lugar muito bacana no sábado à noite, depois de um happy hour no April. Conheci um australiano de férias pela Europa, Russel, que arrisca umas frases em português. Perguntei em inglês se ele conhecia muitos brasileiros em Melbourne, ele disse que sim, conhece 5 !!!
Mal sabe ele que brasileiro é como praga, onde menos se espera lá estão aos milhares! hahaha
Essa frase nem é minha, tem uma original, mas não lembro agora. A frase que é título do post é a frase que o Russel aprendeu e diz com tanta graça que foi motivo de risos a noite toda.
O domingo foi de leseira até o meio da tarde, fui ver André trabalhando na casa nova, amanhã será minha vez de dar duro, vou pintar as paredes e o teto com Orlando.
À noite fui me encontrar com Joe - o diretor de teatro - tomamos uns drinks no Café Cuba aqui perto de casa e depois fui jantar em sua casa com ele. Nem pensem coisinhas, ficamos só de papo sobre teatro, viagens, futuro. Tomamos um vinho e voltei para casa com a certeza de ter feito mais um amigo. Tão pensando o quê? Que sou da turma dos facinhos? Nem tanto... hehehe
No retorno para casa foi que percebi que o casaco que eu vestia não era suficiente para o frio que se instalara e cheguei tiritando e me enfiei direto embaixo do edredom.

JoHnNy::[13:09] |


Sábado, Outubro 09, 2004

o rapazinho da lotacao
E sigo minha vidinha de Holanda, acordando tarde essa semana porque o computador da casa onde estou ficou bom e fico navegando na net toda a madrugada, mas a sensacao que fica ao acordar eh pessima, a de q perdi boa parte do dia e o melhor de tudo eh q tem feito sol. Desde que cheguei naum tinha visto a cara do astro rei ainda. E o friozinho acompanhado do sol eh uma delicia, se fosse sempre assim...
Ontem saih com Marcello, os dois munidos de cameras digitais e fizemos varias fotos pelas ruas e canais de Amsterdam que serao publicadas no fotolog. Depois nos jogamos num barzinho de carater um tanto duvidoso. Como era sexta feira a lotacao estava esgotada. Fiquei mais na minha, sacando o movimento. Conheci um rapazinho de nome Patrick, q mora em Utrecht e ficamos de papo, ele ateh saiu em alguns cliques. Depois fomos comer todos juntos e acabamos visitando uma sex shop e nos divertindo vendo um monte de parafernalia sexual. Emendamos a noite indo a outro bar, soh sei que cheguei em casa depois das cinco da manha. Hoje eh sabado e faz um sol lindo, peguei a bicicleta de Andre e me joguei nas ruas junto com Cello. Bateu arrependimento, o freio da bike eh acionado girando os pedais para tras e mesmo assim naum estah funcionando bem, passei o maior sufoco, mas ainda bem que naum rolou nenhum acidente. Sei que eh feriadao aih no Brasil, entao aproveitem bastante. Peguem uma praia por mim!!!!!
Beijos a todos que leem e comentam, principalmente a quem comenta que me faz sentir mais perto dos tropicos...

JoHnNy::[14:49] |


Quinta-feira, Outubro 07, 2004

línguas do mundo
Andando esses dias com André comentei que essa cidade é uma Torre de Babel, dada a quantidade de línguas que se ouve nas ruas: é holandês, inglês, árabe, tcheco, francês, hebreu, etc. E André complementou: "Torre de Babel misturada com Sodoma e Gomorra" e caímos na gargalhada. Não raro estou andando e de repente percebo o bom e velho português brazuca. Outro dia tinha um casal bem exótico discutindo numa esquina da Leideseplein e parei para escutar o sotaque carioca e tive que disfarçar para não perceberem que eu estava me enxerindo em assuntos alheios. A moça queria ir para algum lugar e o rapaz para outro. Na rua onde estou vê-se gente de todos os cantos do mundo. Outro dia parou um carrão e dentro dele um travesti com a cara mais bizarra do mundo e pediu a uma das prostitutas na janela para tirar um foto (coisa proibida) e esta consentiu. Ela gritou do carro: "Para mostrar em Sudamérica!". E saiu lépida e fagueira.
Aqui me confundem com espanhol, italiano e até turco. Quando digo que sou brasileiro sempre há uma leve exclamação no rosto das pessoas, minha impressão é que imaginam que a gente do Brasil deva ter cara de índio, porque mesmo sendo Europa há aqui um grande desconhecimento acerca do nosso país. As cores da nossa bandeira continuam na moda, vê-se camisas verde e amarelas escritas Brazil para lá e para cá, mas como tudo na moda é passageiro, logo logo isso acaba.
Estou programando de ir amanhã ao cinema assistir "La Mala Educacion", o novo filme de Pedro Almodovar. Espero que as legendas em dutch não atrapalhem muito a fruição do programa e espero mais ainda que eu entenda tudo em espanhol.

JoHnNy::[10:39] |


Terça-feira, Outubro 05, 2004

festa animada
O tal jantar com Ingrid na verdade era a comemoração de aniversário de 40 anos de um importante diretor de teatro americano que vive há 20 anos aqui em Amsterdam. Se chama Joe e é de uma simpatia absoluta. Estavam reunidos vários artistas importantes e os starlets também, aqueles que não podem faltar numa festa, tipo o ator principal do seriado mais assistido. Diga-se de passagem um homem muito do bonito, ele faz o papel do doutor bonzinho numa série do tipo Plantão Médico. A Ingrid, amiga de André, fala português fluentemente, foi casada com um carioca por 9 anos. E dança como uma passista de escola de samba. Quando o DJ enfim colocou música brasileira tomamos conta da pista e nos tornamos a animação da festa. Sei que foi tanta comida: paella, sushi, queijos, frangos e tanta bebida que lá pelas tantas eu estava aos beijos e abraços com o aniversariante. E a noite acabou com a gente na Praça Dam cantando música brasileira para Ingrid ouvir. Sim, eu saí da festa com o telefone do Joe, seus curiosos, essa semana ligarei pra ele... hehehe!

JoHnNy::[14:28] |


Sábado, Outubro 02, 2004

la vou eu sem acentos
Tenho um amigo que admiro muito, como artista e como pessoa, eh daqueles caras que nao se furtam a dizer o que sente e que vai fundo naquilo que quer. Um tempo ai atras ele vendeu tudo o que tinha e partiu para a Espanha, foi viver em Barcelona, cidade que ja conhecia e onde estivera alguma vezes de ferias e sempre disse que adorava. Um mes e pouco depois ele voltou. Muita gente nao entendeu, mas cada um tem o seu tempo, cada um sabe da sua dor e delicia... Um querido amigo me escreveu um e-mail dizendo que nao vai aguentar o meu "olhar de derrota" caso eu resolva voltar para Salvador. Mas o fato de querer tentar morar fora nao e a razao da minha vida, sempre disse que era uma tentativa, uma experiencia, mas o fato de desistir de passar por coisas onde nao me sinto confortavel e que nao me deixam com o coracao feliz nao vai fazer de mim um derrotado, pelo menos eu posso dizer que tentei...
Nao, ainda e cedo para jogar a toalha, quero agradecer as palavras encorajadoras de Otavio, direto do Canada, da minha irma Mariuna e de todo mundo que tem comentado aqui... Tem sido importante para mim...
Agora tenho que descer que Andre ta me esperando para um jantar com Ingrid... La vou eu!


JoHnNy::[14:29] |