Quinta-feira, Setembro 30, 2004
Será???
O computador da casa do meu amigo pifou, andei frequentando um cyber café, mas além de caro, entrar no messenger é uma loucura, tem que fazer o download, esperar, tentar acertar o que pede em holandês e torcer para que a máquina que você escolheu aceite a instalação. Tudo automatizado, não tem a quem sequer pedir um help. Por isso, não atualizei o blog também. A chuva deu uma trégua, o frio persiste e para mim que sou baiano nagô é um pouco demais, mas todos aqui adiantam que ainda não é nada... Ah, né não? ai, ai, ai...
Morreu um famoso cantor holandês essa semana, André Hazes (Alguém já ouviu falar?). Foi comoção nacional, o cara era o Roberto Carlos daqui. Todos os jornais e tv's cobriram a notícia e até um bar da cena exibia especiais com o gorducho em seus telões. Não conheço nada de música holandesa e o que tenho escutado aqui são as babas americanas, inclusive nas boates, parece até que estou na Off. Nenhuma novidade.
Ia rolar um trabalho de room service num hotel, no final de semana até fiquei uma horinha lá aprendendo o serviço, recebi até 5 euros de pagamento (!), mas ontem fiquei sabendo que a vaga foi dada a outro cara. Todos os brasileiros imigrantes que encontro aqui reclamam que arranjar trabalho está complicado. Fico me perguntando se valerá à pena me transformar em faxineiro só para morar no exterior. Será???
JoHnNy::[13:19]
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Domingo, Setembro 26, 2004
dias de holanda
Com esses amigos brasileiros aqui, estes dias tem sido de pura farra, tenho me comportado como turista, que afinal é o que sou, mas a cabeça anda preocupada com todo o resto. Ando pelas ruas admirado com tanta beleza arquitetônica, a casa onde estou hospedado fica no Red Light District, o famoso bairro das putas nas vitrines, mulheres de todos os tipos e uma horda de turistas, em sua maioria homens, de todos os cantos do mundo. A cada saída sou abordado por alguém querendo vender cocaine ou ecstasy, a melhor coisa é ignorar. A prostituição aqui é regulamentada e os holandeses se orgulham da falta de hipocrisia e alguns me perguntaram o que eu acho disso. Concordo que é menos hipócrita, mas não deixa de ser bizarro ter alguém exposto à venda assim, como mercadoria. Ao mesmo tempo é vergonhoso pensar como se processa a prostituição no Brasil. Nem cabe comentar agora. Ontem à noite depois de fazermos o circuito dos bares da cena local, que na minha opinião está bem diferente de quando estive aqui há quatro anos, e eu não diria que para melhor, nos jogamos na Exit, uma danceteria de 4 ambientes.
Fui abordado insistentemente por um rapaz malhado de origem asiática, até trocamos um beijo, mas parecia que eu estava beijando um peixe. Argh! Beijo é cartão de visita, se não for bom, esqueça o resto...
Depois conheci um iraquiano, mas nem quis arriscar. Ficamos só de papo e já tava muito bom. A invasão de bibas asiáticas aqui é impressionante e como elas são afeminadas. Uma coisa!
Hoje fui assistir uma perfomance dirigida por um brasileiro radicado há muito tempo aqui na Holanda, Marcos Antônio Rolla, num centro cultural comunitário. Um casarão belíssimo meio art noveau. Encontrei alguns conhecidos do Brasil, inclusive gente de Salvador que veio estudar dança. A apresentação consistiu numa grande mesa onde os convidados chegavam e se sentavam, daí foi servido um prato de salada e logo em seguida um prato quente. André me convidou a sentar na mesa, mas preferi assistir em pé. Depois os garçons (dois rapazes e uma moça) serviram enormes pães em formato de braço. Uma música estranha deixava o ambiente um tanto fantasmagórico. Lá pelas tantas um dos comensais levantou, tirou a roupa, ficou inteiramente pelado e subiu na mesa. Contei umas vinte pessoas que tiraram a roupa e subiram na mesa. Depois os garçons trouxeram várias galinhas e jogaram também sobre a mesa junto com as pessoas nuas.
O ápice da performance foi a entrada de um satyro com a bunda e o pau de fora que pegou uma galinha e arrancou o sangue da pobre coitada com os dentes.
Uma loiraça ao meu lado ficou indignada e haja falar comigo em holandês e eu só fazendo caras e bocas concordando com ela. No final todo mundo ficou bebendo vinho e cerveja no bar e conversando. Minha garganta não está muito bacana e vim para casa escrever um pouco e me cuidar...
JoHnNy::[21:43]
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Quarta-feira, Setembro 22, 2004
moinhos de vento
Leio tantos casos no orkut numa comunidade de brasileiros que moram no estrangeiro de gente que é deportada que confesso ter tido um certo receio em Portugal. Vi algumas pessoas demorando demais na fila do carimbo e tendo que mostrar o dinheiro e contar na frente do oficial, quando chegou a minha vez mudou para uma moça aparentemente simpática, mas que bem secamemte me perguntou se era a minha primeira vez na Europa. Respondi que não e ela perguntou onde estava o passaporte antigo. Falei que havia caducado e ela disse que mesmo assim teria que estar com ele em mãos, depois me perguntou umas três vezes olhando no monitor do computador se eu havia morado em Portugal. Respondi que não, creio que havia algum homônimo registrado e ela queria saber se era eu. Na verdade, troquei o passaporte na semana da viagem, pois uma funcionária da Polícia Federal me aconselhou que uma vez tendo sido negado meu visto americano ano passado seria melhor estar com um passaporte novo. Pensei comigo "me fudi, deveria ter mentido". A policial portuguesa também perguntou o que eu faria por tanto tempo na Holanda, respondi que estava a passeio, não pediu para ver o dinheiro, mas quis saber quem eram os meus contatos. Depois, pediu para esperar. Sentei num banco onde já haviam umas seis pessoas esperando com umas caras arrasadas. Em menos de dez minutos chamaram meu nome, me entregaram o passaporte carimbado e entrei no aeroporto onde gastei os primeiros euros num suco de pêssego. Fazia um calor africano em Lisboa, o sol estava a toda, duas horas e meia depois recebo o frio da Holanda na cara... Hoje fomos à casa de Georg encontrar com Leila, ele pegou o carro de uma amiga emprestado e visitamos a pequena cidade de Zaandam com seus moinhos de vento. Numa antiga fábrica de queijo pudemos degustar queijos maravilhosos. Mais tarde fomos ao aeroporto buscar dois amigos nossos que vieram de férias, Rossandro e Val, levamos os dois ao quarto que alugaram na Dentexstraat, uma rua linda de casas bem holandesas e depois fomos comer numa pizzaria bem interessante na Leidsenplein. Ainda tivemos pique de tomar uma cerveja no bar April. Tudo pode parecer farra, mas ainda estou meio lesado com a sensação de jet lag, a chuva e o frio são constantes e as dúvidas são muitas, o bom nisso tudo é que André, o amigo que está me hospedando, está sendo um anjo e vou contando com a inspiração e a proteção divinas...
JoHnNy::[22:06]
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Terça-feira, Setembro 21, 2004
cheguei amigos!!!
Ainda no avião sobrevoando a cidade de Amsterdam, que eu já conhecia e vendo do alto as casas, o campo, as ruas,as pessoas bem pequenas lá embaixo, ouvi Marisa Monte cantando: "Tua pessoa Maria, mesmo que doa Maria", uma cortesia da TAP, companhia portuguesa de poltronas apertadas e tripulação enfezada. Aqui faz um frio da porra, no aeroporto André, Willem e Leila (que está de férias aqui) me receberam com fotos de maquininhas digitais e um enorme buquê de girassóis. Jantamos num chinês, tomamos chá juntos em casa, deixamos Leiloca no tram 16, perambulei com Dé pelos bares da cena e voltamos pra casa. Tô cansadão, vou dormir. Obrigado a todos pelos comentários do último post e depois comento meu perrengue no aeroporto de Lisboa.
JoHnNy::[20:11]
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Domingo, Setembro 19, 2004
um
A segunda-feira me separa de um vôo para o distante, nova casa, novos amigos, outros trabalhos, novos ares. Fica o imenso carinho de todos, algumas lágrimas com a família, as saudades antecipadas... A vida é assim, um chegar e um ir constantes. Obrigado a todos pelos votos de sucesso e sorte. Vou precisar e vou lutar por isso!
Beijos nos corações...
JoHnNy::[19:33]
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Sábado, Setembro 18, 2004
dois dois
Tanto fizeram que acabou rolando uma festinha de despedida para mim ontem à noite. O que era para ser surpresa, vazou antes e ainda bem, porque ia ser difícil controlar a emoção. O chato foi que não pude chamar todo mundo que eu queria, também se fosse chamar ia ser preciso o estádio da Fonte Nova, né Rico? Não vou citar os nomes dos que compareceram, mas foi bem divertido, cheguei quase bebadozinho em casa...
JoHnNy::[14:55]
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Sexta-feira, Setembro 17, 2004
três três três
E ontem foi uma tarde de emoção, meus alunos do curso de teatro da maturidade fizeram festinha com bebidas e comidas e teve presente (um blusão de frio bacanérrimo) e até discurso. Juro que preferia sair de cena sem alarde, mas está sendo impossível. Emendei a farra etílica com uma ida ao Pelô com Lúcio e João Neto que, apesar das farpas e rusgas que rolam entre os dois, acabou sendo bem divertida...
E eu que disse que ia ao Bonfim nessa sexta feira pedir autorização ao santo para sair da boa terra?
Acabei me contentando com uma visão da basílica do alto da praça Municipal e uma oração silenciosa...
JoHnNy::[15:09]
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Quinta-feira, Setembro 16, 2004
quatro quatro quatro quatro
Como bom baiano e brasileiro tem coisa que está ficando para resolver bem em cima da hora, mas é isso mesmo, adrenalina nas veias. Ontem fiz uma pequena loucura e fui me despedir de uma certa pessoa num certo lugar, digamos que um tanto distante daqui e voltei bem na madrugada. Antes de ir, encontro por acaso com uma amiga numa passarela dessas que recobrem as avenidas da cidade e contando a ela a provável aventura, diz sorrindo: "Vá mesmo! Tem que ir deixando uns corações cultivados...". A mesmíssima coisa que André, meu amigo lá de Amsterdam, me disse o mês passado. Eu não, quero partir sem deixar esses vestígios, quero sair zerado...
Mas uma coisa confesso, se eu bem soubesse tinha feito mais algumas despedidas nesse estilo...
JoHnNy::[10:52]
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Quarta-feira, Setembro 15, 2004
cinco cinco cinco cinco cinco
Não vou mentir que estou bem ansioso, cada amigo que encontro na ruas a conversa é a mesma: a viagem. Muitos pensamentos que giram em torno da nova vida, não quero pensar muito, não adianta, as coisas serão do jeito que são. O mais bacana da vida é o seu ineditismo...
Ontem fui ao cinema com Mariette, é uma amiga constante nos últimos anos, a quem posso contar de mim em quase todos os detalhes, porque tem coisa que até de nós mesmos é bom guardar segredos...
Vimos "Goldfish Memory" (Todas as Cores do Amor), um filme irlandês cheio de canções de Tom Jobim. Relações amorosas e seus reveses. O título se refere à curtíssima memória do peixe dourado que depois de 3 segundos esquece de tudo, cada volta no aquário é uma novidade...
Lembrei do meu peixinho Ben, que vai morar agora com Mainha, e nem vai se lembrar de mim jamais... Bom namorado esse que arranjei e bem no dia 12 de junho...
Saindo do cinema encontro Jorginho que me deu um abraço gostoso, minha amiga seguiu no taxi, fui prestigiar o lançamento do livro sobre o Projeto Teatro de Cabo a Rabo no Vila Velha. Houve uma leitura do texto Paparutas de Lázaro Ramos, com a presença do próprio, abracei Marisia, dei uma passada no Beco dos Artistas, papeei com Fabinho e um amigo dele, consultei as horas e segui para casa meio assim, querendo que alguma coisa a mais acontecesse...
JoHnNy::[11:07]
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Terça-feira, Setembro 14, 2004
agora são seis
Despedidas no trabalho, vinho e jantar na casa de Milene com Gil e Tê. Mile abriu as portas dos seus armários para que eu escolhesse uns casacões de frio de quando ela morou na Europa. Ganhei uma peças bem interessantes. Vou tirar fotinhas e mandar para a amiga ver. Mainha e meu irmão vieram dormir em casa comigo, Mainha disse que vinha para papear, ficar um pouco junto, mas cochilou logo no sofá, depois passou pra cama, logo pela manhã acordou cedo e foi embora. Fiquei no teclado com o povo da net, reencontrei Cara Pálida...
Hoje tem algumas coisas para fazer de banco, comprar uns euros mais e esperar...
JoHnNy::[13:53]
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Segunda-feira, Setembro 13, 2004
os dias são sete
Não fui ver a banda Scambo, acordei tarde e fiquei enrolando, enrolando... Ricardo passou em casa, pegamos Thiago e Felipe e fomos almoçar lá pelas 16 horas em Stella Maris na casa de Mariuna. Comidinha esperta, gente bacana, Ninho tocando, muita cerveja e bons vinhos.
Minha irmã chorando de saudades antecipadas consegue arrancar umas lágrimas minhas.
Ai, ai, ai, meu coração já está ficando apertadinho, faltam 7 dias...
JoHnNy::[13:11]
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Domingo, Setembro 12, 2004
na numerologia o meu número é o oito
A visão da praia ontem parecia um dia de alto verão, gente que não cabia mais nas areias e corpos cintilantes desfilando de lá pra cá. Acabei não assistindo ao por do sol, pois fomos comer já que estávamos todos com fome. Me irritei com Ricardo SP que volta e meia desanda a falar mal da Bahia, do atendimento, dos motoristas, das festas. Ah, a gente sabe que isso aqui é cheio de defeitos, mas ficar falando nisso todo o tempo enche o saco. Ainda mais vindo dele que nasceu aqui, embora insista em passar como paulista. Em dez anos longe da Bahia construiu um impecável sotaque caipirizado com aqueles erres dobrados que caracterizam o falar dos paulistanos. E vamos combinar que São Paulo tem muita coisa bacana, mas não é nenhuma maravilha, é uma cidade cheia de problemas. Além disso acho uma tremenda falta de sensatez chegar num lugar e ficar apontando os defeitos para os locais. Discutimos uns instantes, ele assumiu que era só provocação para me irritar e espero que tenha se dado por satisfeito em sua sádica brincadeirinha.
O show de Simone Sampaio no Forte São Diogo levou mais de duas mil pessoas à Barra, 90% de bibas devotas da musa dance baiana, mas só a metade conseguiu entrar. Lá dentro muita gente conhecida, amigos teatrais, fiquei mais de papo que dançando. Fui com Nando, o grande. Depois nos jogamos na Virtua Beats, a festa anual que a promoter Andréa Cabral (aquela que tem uns 800 dentes na boca e muita simpatia!) realiza, dessa vez o local escolhido não poderia ser pior, o armazém da Codeba perto do embarque do ferry boat. O lugar é muito feio, a cerveja estava quente e isso contribuiu para a gente sair mais cedo.
Esse tempo nublado de hoje pode embaçar o show da banda Scambo no Parque da Cidade, mas vou lá conferir...
Faltam 8 dias...
JoHnNy::[12:41]
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Sábado, Setembro 11, 2004
nove é um número bonito
Impossível não lembrar a queda das torres do World Trade Center no dia de hoje. 11/9. Alguns apontam esse atentado como um marco na história recente do mundo, como uma divisão de eras. A partir daí foi instaurada a era do Terror, o mundo rico e globalizado passa a ser vítima de fanáticos invisíveis. O mundo também se tornou mais paranóico com segurança depois disso. Outro dia um amigo comentou que leu que o Al Qaeda mandou uma carta avisando que ia explodir uma parte da cidade de Roma. Ficamos lucubrando a possibilidade e nos quedamos horrorizados. Destruir Roma é destruir todo um passado, a história da moderna civilização. E não nos espantemos com as ameaças que ainda virão...
E enquanto isso na soterópolis quando pensávamos já ter visto tudo de mais bizarro, eis que hoje a cidade assistirá a uma hecatombe cultural com proporções dantescas: 11 horas de ARROCHA!!!
Isso mesmo, os mais representativos expoentes do novo ritmo que vem tomando a Bahia e o Brasil de assalto, se reúnem à noite para um encontrão denominado O REINO DO ARROCHA. E a TV Globo Bahia em seu jornal do meio dia com aquele apresentador afetado de cabelos pintados não parou de falar nisso um minuto sequer. E Tom Tavares, estudioso de música, disse que o arrocha não é ritmo nem é novo, é apenas o bolero com um andamento mais rápido. Sim e com letras infinitamente mais pobres, né Tom? Porque se o bolero é simplório falando de dores de cotovelo e amores complicados, o arrocha é a evolução do axé. E como ecoou Ana São José: "Pokemon evolui, câncer evolui, mas o axé não tem como evoluir, porque está morto!" portanto, o arrocha é um mais um subproduto cultural que a Bahia coloca no mercado, depois de ter parido a bossa nova e gestado o samba. Oh, dó!
E eu vou é me jogar nas areias do Porto da Barra agora mesmo e me preparar para a noite: Simone Sampaio no Forte São Diogo, depois a Virtua Beats no armazém da Codeba e quem sabe a rave da Soonomoon no sítio da Estrada do Côco, tudo vai depender do gás e do pique do rapaz... Arrocha Brasil !!!!
Faltam 9 dias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
JoHnNy::[14:39]
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Sexta-feira, Setembro 10, 2004
são dez mil as minhas manias
A notícia da minha viagem para as minhas queridas alunas não teve o impacto esperado porque elas acreditam que eu retornarei em breve. Oxalá esse desejo delas não se concretize, espero ficar o maior tempo que conseguir. A sensação dia após dia é de despedida da cidade. Ontem rolou um encontro no bar Toca do Caranguejo para Jamile que viajou hoje para a cidade de Manizalles na Colômbia. Vai participar de dois festivais, um de música e outro de teatro, só retorna à boa terra daqui a 4 meses. O tempo todo ela ficou de nariz vermelho de tanto chorar na mesa do bar e para mim rolaram umas paqueras interessantes. De lá me joguei com Lúcio Rabello no Pelourinho, ainda no caminho encontramos Ney, a guerreira de Tróia, e daí a farra estava garantida. Acabei dormindo no Campo Grande depois de cervejas, gudangs e risadas com a performance de Ney imitando a ginasta Daiane dos Santos. Agora faltam 10 dias...
JoHnNy::[15:34]
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Quinta-feira, Setembro 09, 2004
onze bronze onze
Ontem foi um daqueles dias em que tudo que você programa acaba não fazendo. Era para ir ao Porto, não fui. Academia, também não. Marquei de ir ver um espetáculo de dança no Vila Velha com um amigo, dei o bolo. Dia de maresia plena e absoluta. Apenas um passeio no shopping com Mariette e Ricardo e mais tarde um café. Só pra não dizer que não aconteceu nada. Hoje à tarde me despeço da minha turma de teatro da maturidade, coordeno esse grupo há 9 anos. Sei que vai ser um momento delicado... Deixa eu me preparar... Faltam onze dias...
JoHnNy::[13:22]
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Quarta-feira, Setembro 08, 2004
doze são os apóstolos, doze são os meses, doze são os dias
Ontem parecia um dia de domingo, fui à praia de Stella Maris com Ricardo SP e não havia sequer uma mesa vazia na Barraca do Gaúcho. Esperamos os amigos dele chegarem, Sérgio e Manuca, e fomos sentar numa barraca bem mais adiante. O retorno da praia foi uma loucura, um engarrafamento monstruoso, acabamos entrando num atalho e chegamos primeiro que os meninos. No caminho íamos cantando e zoando com os outros carros. Decidimos comer uma moqueca de camarão e ficamos na dúvida entre o restaurante Yemanjá ou Dadá, fizemos um sorteio e o Yemanjá acabou vencendo. Os amigos de Ricardo decidiram não ir jantar, então fomos só nós dois. Ainda na mesa, tirando fotinhas, brincamos de que éramos namorados e a garçonete (todas elas vestem roupa de baiana tipo aquelas que se usavam nas senzalas & casas grandes), ouvindo nossas besteiras se resumiu a dizer: "Nada a comentar!".
Na saída só para sacanear tem um mural cheio de bilhetinhos escritos por gente do mundo todo, em várias línguas, sobre a comida do restaurante. Peguei um papel e escrevi: "Nossa lua de mel não seria mais perfeita sem a maravilhosa comida do Yemanjá. João & Ricardo".
A garçonete que emprestou a caneta ao ler o bilhetinho exposto deu um sorrisinho de cumplicidade. Saímos rindo pro estacionamento e na partida vimos uma pequena multidão de baianas garçonetes debruçadas sobre o mural para ler o pitoresco bilhetinho! hahahaha
Essa semana vou passar lá para ver se eles conservam o papel no mural, se não estiver, vou querer saber o motivo de terem tirado!
Feriadão acabou e fui dormir tão cansado que parecia que tinha carregado pedras por 4 dias inteiros. Faltam 12 dias para o embarque e a tranquilidade começa a dar lugar a ansiedade... Obrigado a todos que deixaram votos de carinho e sucesso, na medida do possível respondo nos outros blogs e e-mails. Grande abraço e bom início de semana!
JoHnNy::[13:42]
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Terça-feira, Setembro 07, 2004
treze deixa eu te ver treze
Ana São José ligou, Ricardo SP ligou, Luciano ligou, Lúcio também. Acabei indo com Ricardo comer uma feijoada na casa de Ana e depois passeamos na praia da Paciência tirando fotinhas e jogando conversa fora. Os conselhos de Ana para que eu siga em Amsterdam são impublicáveis. À noite na balada ouvi de um amigo que mais tarde me trouxe de carona "não vá se perder naquela cidade". O perder é a que ele se refere não é entrar em ruas de canais e não saber de repente onde está, é outra perdição... Amsterdam é conhecida como a Veneza do Norte por possuir muitos canais e tem uma arquitetura muito peculiar, é uma cidade bastante cosmopolita e atraente, uma das coisas mais extraordinárias que pude sentir andando por suas ruas seculares (a cidade tem 1000 anos!!!) foi a sensação de segurança, de saber que ninguém iria roubar meu celular, relógio ou dinheiro, no máximo você é abordado em alguns distritos como o Red Light por alguém te oferecendo drogas, mesmo assim discretamente porque como a cidade é cheia de cafés onde as drogas são vendidas legalmente, oferecer drogas nas ruas é uma atividade ilegal.
Então ontem, como disse, caí na balada no Off Club, uma festa do site disponivel.com. Foi até divertido, muitos amigos, boa música e acabei chegando em casa ao raiar do dia. E só!
JoHnNy::[12:50]
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Segunda-feira, Setembro 06, 2004
sete e sete são quatorze com mais sete vinte e um
Fim de semana prolongado porque amanhã é feriado nacional. Acabei nem cogitando sair da cidade. No sábado passei o dia com Luciano que veio de Aracaju, almoçamos na Barra, vimos o por do sol no Porto, tomamos umas cervejas num barzinho com Tássio e Ricardo de SP e os papos em alto e bom som eram sobre sexo. Cada confissão! As outras mesas estavam de orelha em pé! Depois, convidamos Ricardo a tomar café na Mariette. Tássio preferiu arriscar um acarajé. Marcamos todos no Beco da Off mais tarde. No porão underground ia rolar a festa da cabritinha Mimi numa promoção do povo do orkut, mas não vi ninguém por lá e sugeri conhecermos a Seven In no Rio Vermelho, onde estava rolando a Liquid Party. O espaço é bacana, o som merece uma qualidade melhor, mas o must da noite foi o set de Bia Prudente com trash music: ela tocou desde abertura de programas de tv até Xuxa, Angélica Vou de Taxi e a supercult "Vamos abrir a roda, enlarguecer". Gente, Sarajane com batida eletrônica é tudo que há! hehehehe. Nos divertimos muito e saímos de lá quase 5hs da manhã.
No domingão fui almoçar com Lúcio, depois perambulamos de carro pela cidade, minha vontade era cair num pagodão desses de bairro, tipo Ribeira, mas faltou saco! Voltamos cada um para suas casas.
Recebi telefonemas de SP e da Holanda. Xande contando as novidades da paulicéia desvairada e reclamando porque antes da viagem eu não iria passar lá. Adoro SP, me divirto muito naquele lugar, mas uma passada agora iria se transformar em despesas desnecessárias. Já André encheu minha boca d'água dizendo que passou um divertido final de semana de sol na praia em terras holandesas. Que esse sol espere eu chegar!!!
JoHnNy::[11:07]
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Domingo, Setembro 05, 2004
bye bye Brazil
Faltam quinze dias para meu embarque, não contei nada antes porque estava nos preparativos da viagem. Passagens, resoluções, decisões. Preferi anunciar quando estivesse mais próximo também. Agora a contagem é regressiva. Estou indo morar na Holanda. Mais precisamente em Amsterdam. Já começo a sentir saudades antecipadas das pessoas e lugares dessa terra e a sentir aquele friozinho na barriga. Ao mesmo tempo sinto uma excitação gostosa pelo novo e pelas mudanças todas. Continuarei postando de lá, não sei se com a mesma regularidade, mas vocês continuarão sabendo minhas artes & manhas.
Só que agora do outro lado do atlântico...
JoHnNy::[13:10]
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Sábado, Setembro 04, 2004
sexta cheia de dança e agito
Sempre me visto de branco às sextas-feiras, não sou adepto do candomblé, mas simpatizo com muitas das tradições dessa religião. Admiro a tolerância que exercem em seu culto, a proximidade com as coisas da terra, a profunda ligação com a natureza. É uma religião mais humana sem essa idéia histérica de um paraíso a alcançar fora desse planeta. Só que tenho dificuldade em seguir qualquer que seja a obrigação, talvez por isso não cultue nenhuma religião. Mas como sou baiano fico impregnado desses rituais de uso das cores nas roupas, de pedir permissão às aguas antes de entrar nelas e outras baianidades nagôs.
Isto feito, sexta também é dia de comida de azeite e ontem rolou uma moqueca de peixe na casa da amiga Geórgia junto com seu irmão ator e mais tarde conheci um amigo virtual muito bacana, o Simon, fomos juntos ao show de lançamento da banda Nêga Maria com a cantora Alobened e convidados. Além de Simon, conheci também o Christian do Rio, um jornalista que veio trabalhar na campanha política de um candidato a prefeito de Camaçari. Duas figuras muito interessantes tanto o doce Simon quanto o divertido Chris. Acabei me divertindo mais que o esperado na noite de ontem...
JoHnNy::[14:13]
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Sexta-feira, Setembro 03, 2004
e se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo
Um ano está fazendo que os estudantes paralisaram a cidade contra o aumento no preço das passagens de ônibus. Foi um rebucetê, como diria minha querida Luise. A cidade virou um caos, mas havia uma força no ar. Pena que nada sobrou daquele movimento, nem mesmo o preço da passagem baixou um centavo sequer. Assim como essa última greve dos professores, pelo que me consta as reivindicações não foram atendidas e as aulas entrarão pelo verão prejudicando as férias e atropelando o ano letivo. Enfim, coisas do Brasil...
Hoje passei o dia com o amigo Lúcio, almoçamos juntos num shopping do Centro, depois fui ao banco saber porque o tal cartão internacional em forma de chaveiro ainda não chegou (e dizem que é o que há em termos de cartão, eu posso com isso?) . A explicação é que o entregador veio e não me achou em casa. E eu lá sou homem de ficar em casa?
Depois, deixei Lúcio resolvendo os pepinos dele, já que agora se tornou síndico do prédio onde mora e todo tempo de folga é para resolver pendências administrativas. Imaginem que tem um condômino que não paga a taxa há não sei quantos meses e resolveu colocar o condomínio na justiça alegando que se sentiu constrangido com as cobranças. Quer uma indenização por deixar de pagar e ser cobrado. Quanta cara de pau!!!
Fui dar minha aula de teatro no Conjunto Cultural da Caixa e na saída encontrei um amigo que não via há tempos, ficamos de papo até reencontrar Lúcio. Juntos fomos à casa de Klaus para ele cortar nossos cabelos, mas às 8 da noite o rapazinho já dormia. Nisso, liga Jamile convidando para o show de Tarso Cardo (sim, o nome do rapaz é esse mesmo, não se metam nisso!) e lá fomos nós para o teatro do Sesi Rio Vermelho. Surpresa foi encontrar Ricardinho Castro que retornou ontem de Barcelona decidido a não morar mais lá e nos brindou com sua versão apaixonada de "As Curvas da Estrada de Santos" como convidado no show do rapaz. Ainda teve Marienne de Castro que Lúcio adorou, mas que para mim a insistência num comportamento Clara Nunes - Bethânia de ser é difícil de engolir.
Encerramos a noite no simpático Pasta Fast onde comi uma massa whisky cream que como o nome já diz leva uma generosa dose da bebida. E só.
JoHnNy::[03:43]
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Quinta-feira, Setembro 02, 2004
de comida, piercing e tattoo
Coragem criada, piercing colocado! Até que não doeu tanto, foi rapidinho, tatuagem dói muito mais. Fiz uma tatuagem nos jussáricos anos oitenta quando tatoo nem era moda ainda. Eu devia ter uns 15 anos e lembro que estava meio adoentado e decidi que quando ficasse bom a primeira coisa que faria era uma tatoo. Minha mãe não gostou nada da brincadeira. Mandei fazer o desenho de dois coqueiros, um sol e flores num estilo surf de ser que me acompanhava na época. Hoje, penso em cobrir com algo meio abstrato, já que as cores ficaram esmaecidas. Mas quando lembro da dorzinha incômoda...
Voltei à academia ontem, olhando minha ficha descubro que só pisei os pés lá uma vez durante todo o mês de agosto. Péssimo isso, deplorável melhor dizendo...
Para continuar a saga das calorias pesadas ontem fui no aniversário da mãe de Laís e me acabei num prato de caruru completo, daqueles que além do vatapá, o dito cujo caruru, ainda tem farofa, banana frita, arroz, frango, feijão fradinho, abóbora, inhame e até rapadura! O pior é que entrou setembro e toda comemoração de aniversário ou festa desse mês geralmente tende para esse cardápio. E não vou mentir que adoro comida baiana!
JoHnNy::[12:12]
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Quarta-feira, Setembro 01, 2004
tire o seu piercing do caminho que eu quero passar com a minha dor
Ontem vaguei pelo shopping criando coragem para colocar um piercing na sobrancelha esquerda, adiei para hoje. Há anos acalento esse desejo, mas confesso que amarelei. Vou chamar algum amigo divertido para me acompanhar e diminuir esse medo da dor...
Está sendo tão difícil me locomover pela cidade sem a moto, vocês não tem noção... Então, me acabo nos joguinhos do celular dentro dos ônibus, na impaciência do trânsito e na longa espera nos pontos. Sinto que depois do último assalto ando temeroso, receoso, sem tranquilidade para andar pelas ruas. Mas isso passará como os passarinhos passarão...
O que faz um balzaquiano desistir de ir à academia, se enfiar em casa diante do computador e da TV, sentir fome e pedir uma pizza grande com direito a sobremesa (mousse de chocolate), comer 6 pedaços (ainda bem que eram finos!), se sentir imensamente gordo (pelo menos a barriga deu um salto) e enfim ir dormir ???
Respostas e reclamações com a redação!
JoHnNy::[02:13]
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